Translate

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Perfectus III - Capítulo 4: Ernie Graves

Ernie Graves está em uma sala, cercada de monitores, todos eles mostrando o crescimento de seus seguidores ao redor do mundo, arquivos sobre Alan Garrett, Ruth Renée Ford, Nicholas Connery, Cassidy Moore, entre outros. Todos os que tiveram alguma ligação com o Projeto Perfectus, mas de todos ali, o que mais lhe interessa é Barry Granger, o rapaz que foi a chave para o sucesso do projeto.
Enquanto está olhando os arquivos, um homem caminha até ele:
- Senhor?
- Diga. – responde Ernie.
- Acabamos de receber uma informação de que o grupo foi derrotado.
- Alan Garrett os encontrou?
- Sim, estão todos mortos.
- Isso não é bom.
- O que faremos senhor?
- Temos que sair daqui e ir para outro esconderijo. Garrett vai encontrar Sadat e ele irá contar tudo.
- Mas só temos esse esconderijo, senhor! Para onde mais nós iremos.
- Não se preocupe. E o Doutor Gênesis, já está aqui?
- Eles o estão trazendo, senhor.
- Ótimo, avise-me quando ele chegar. Agora saia da minha frente.
- Sim, senhor.
Ernie caminha para fora da sala. O esconderijo onde ele e alguns de seus seguidores, ou guerrilheiros, como ele prefere chamar, é subterrâneo. Foi construído por seu pai, Ethan Graves, caso algum dia fosse necessário se mudar para cá.
Ernie nasceu em 2001. Sua família tinha uma vida simples, mas seu pai já ganhava a vida distribuindo drogas, era muito popular por não conseguir ser pego. Com o passar dos anos, a vida deles foi se tornando cada vez mais luxuosa. Ethan preparava Ernie para assumir seu império, mas ele nunca ligou para isso. Ernie tinha um fascínio inexplicável por guerrilheiros, como Che Guevara. Os via como verdadeiros heróis e seus atos horrendos como exemplos do que realmente se deve fazer no mundo. Ele possuía desprezo por todo esse mundo de luxúria na qual vivia. O governo, empresas e toda a elite não passavam de vermes, parasitas. O governo de socialista de Ford é um governo fraco, para ele. Para ele, o mundo deveria ser um lugar mais simples, mais humilde, e que as pessoas deveriam ser forçadas a perceber isso. Com isso, ele se imaginou com sendo aquele que poderia fazer isso, levar essa ideologia ao mundo. Ele começou a pregar sua ideologia entre seus amigos, depois com intelectuais que conhecia em algum evento.
Enquanto fazia isso, em 2022, Ernie pagou um hacker para ter acesso às contas de seu pai, e foi secretamente roubando aos poucos todo o dinheiro dele. E para sorte dele, Ethan nunca olhava o saldo, apenas via quanto recebia e pronto, não se importava o quanto tinha acumulado na conta, pois sabia que era o bastante.
Assim que descobriu que seu filho estava com tudo e logo o confrontou sobre isso. A discussão terminou com Ernie enfiando uma faca no pescoço de seu pai e fugindo para se tornar o “salvador da humanidade” em sua concepção doentia.
Foi a partir disso que ele passou a juntar mais pessoas para sua causa, pois assim, o golpe político não seria somente nos Estados Unidos, mas no mundo todo. E não demorou em conseguir seguidores, principalmente jovens sem uma identidade própria e que procuravam desesperadamente por uma identidade pronta ou uma forma inconsciente de se rebelar contra a autoridade de seus pais. Eles ficaram embriagados pela sua utopia, envolvidos por cada palavra que ele dizia, dispostos a realizar tudo o que ele diz, como por exemplo, realizar ataques terroristas.
Passando pelas barracas onde os seus seguidores vivem, ele entra no quarto onde dorme, e é o único local que possui uma cama. Lá está sua namorada, Carla. Os dois se conheceram há quase 10 anos, ela compartilhava dos ideais dele e os dois eram apaixonados um pelo outro. Porém a paixão foi diminuindo, principalmente por ela ver o quão longe ele está indo.
Ela está sentada na cama, encolhida, com um olhar triste. Ernie a olha e se lembra dos tempos áureos de seu relacionamento, quando os olhos emitiam alegria pura, mas agora é somente tristeza:
- Arrume suas coisas.
- Por quê? – pergunta ela.
- Estamos partindo. O grupo que eu estava me comunicando foi massacrado por aquele fascista de merda. Ele provavelmente já está indo atrás do Sadat, ou já o encontrou, e você sabe tão bem quanto eu que aquele filho da puta não é confiável.
- Então é isso? Sempre estaremos fugindo?
- É temporário. Isso vai acabar.
- Quando?
- O Doutor Gênesis está sendo trazido para cá.
- Você vai realmente fazer isso?
- É preciso! Se eu quiser enfrentar o Garrett eu preciso estar no mesmo nível que ele.
- Isso está fora do controle.
- Vai reclamar de novo?
- Olhe para nós! – grita ela.
- Estamos em esconderijo subterrâneo com um monte de gente vivendo em barracas e não há comida e água para todo mundo. E você, com o dinheiro que roubou do seu pai, poderia dar um modo de vida mais justo para todos nós, mas ao invés disso compra armas e contrata criminosos.
- Nós iremos iniciar uma revolução! É preciso comprar armas, é a única forma de nos defendermos.
- E os ataques terroristas que você os manda fazerem? Isso é necessário?
- Esses porcos capitalistas, esses burgueses de merda tem que saber que seu mundinho de cristal vai quebrar.
- Mas e essas pessoas?
- Eu dou a elas esperança. Elas não precisam ter fé em sistemas de opressão como a religião, elas não precisam crer em um ser imaginário, elas têm a mim. Elas têm a fé delas e mim.
- Por favor, Ernie. Você está se ouvindo? Isso tudo foi longe demais. Você tem que parar enquanto há tempo.
- Parar? Você ficou maluca? Eu estou fazendo o que os heróis fizeram antes de nós. Eles conquistaram a liberdade para todos através da luta armada e foram chamados de terroristas por fazerem isso. E lá fora há uma arma que anda livremente pelo mundo. Eu estou conseguindo reunir vários dos super-humanos criados pelo Doutor Gênesis e logo ele vai me transformar em um super-humano. Alan Garrett e todos os fascistas e fracos que estão aliados a ele não terão chance contra nós.
- Você está louco.
- Você costumava concordar comigo.
- Porque eu não sabia que isso estava indo longe demais! Você tem que parar!
Ernie a encara. As palavras dela soam como traição. Ele ergue a mão e a esbofeteia. Carla olha assustada para ele, paralisada, pois ele nunca havia feito isso. Ele a agarra e começa a espancá-la. Ela implora para ele parar, mas os tapas e socos continuam, até que batidas na porta são ouvidas e ele a larga. Antes de abrir a porta ele a olha, caída, sangrando e chorando:
- Nunca mais duvide de mim.
- Não era isso o que eu queria. – diz ela chorando.
- Isso é a revolução, minha amada.
Ele abre a porta e é um dos seus seguidores avisando que o Doutor Gênesis chegou. Ninguém sabe qual é o nome verdadeiro dele, apenas se sabe que ele teve acesso aos dados relacionados à Fórmula Perfectus e conseguiu recriá-la, conseguindo tornar aqueles que o pagassem em super-humanos. Mas alguém roubou os dados que ele tinha e recriou outra versão da Perfectus e assim contribuindo para a expansão de super-humanos, com resultados bem instáveis. Alguns dos indivíduos conseguem continuar vivos, embora ter a versão inferior da Perfectus seja como ter um super tumor em seu corpo, já outros morrem na hora. Mas não é o que importa. O que importa é o poder, nem que a própria vida seja o custo para isso.
Gênesis é levado até ao escritório de Ernie, amarrado, com todo o seu aparato sendo colocado na sala com os monitores. Gênesis se senta, enquanto Ernie o observa:
- Então você é o grande Doutor Gênesis.
- Eu diria ao seu dispor, mas infelizmente você me ordenou que me trouxessem à força. Geralmente aqueles que desejam tornarem-se meus clientes costumam ser mais gentis comigo.
- Está vendo alguma arma apontada para sua cabeça?
- Não.
- Então estou sendo gentil. Eu pesquisei o seu trabalho, e você realmente me impressionou.
- Sou o melhor no que faço. Ouvi dizer que andou reunindo alguns de meus clientes.
- É verdade.
- Quer que eu o transforme não, é?
- Obviamente que sim.
- Está disposto a pagar quanto.
- Eu pago cinco milhões.
- O máximo que me pagaram foi 15.
- Que tal... 45 milhões?
 - Temos um novo recordista. Meus serviços são seus. Quando iremos começar?
- Mais tarde. Primeiro o senhor irá nos acompanhar em nossa fuga.
- Fuga? Como assim fuga?
- Nós estamos nos mudando. Corremos risco de sermos pegos, então o senhor virá com a gente. Assim que chegarmos ao esconderijo novo, iremos realizar o procedimento.
- Está bem. Pode me desamarrar?

- Não. Isso é para garantir que virá conosco. Bem vindo à revolução, Doutor Gênesis.
Enquanto isso, nas Indústrias Hórus, Alan está interrogando o dono da empresa. Ele está dentro do escritório de Sadat, com as portas trancadas e com ele e esposa grávida amarrados nas cadeiras:
- Por favor, me solte! – grita Sadat.
- Ainda não, Sadat.
- Eu não fiz nada.
- Acho que você fez sim. Você tinha amizade com Ethan Graves e, sendo assim conhece o filho dele.
- Faz anos que não falo com ele. O garoto enlouqueceu, ele matou o próprio pai!
- Então me diz, por que encontramos produtos da sua empresa com o grupo terrorista conhecido como Sol, que também possui ligação com Graves?
- O que? Isso deve ser algum erro.
- Achamos um de seus produtos lá! Diga a verdade, será melhor para você.
- Estou dizendo!
- Eu não queria ter que fazer isso.
Ele caminha até a esposa de Sadat, uma mulher mais jovem que ele e grávida de oito meses:
- Seria trágico se sua mulher e filho morressem.
- O que? Não faça isso! Garrett, por tudo que é mais sagrado não a machuque.
- Então diga onde Graves está.
- Eu não sei Sr. Garrett, juro que não sei.
- Está bem.
Alan coloca sua mão esquerda na garganta da mulher e começa a sufocá-la. Sadat implora para ele parar, mas Alan continua:
- Eu só irei parar se me disse onde ele está.
- Está bem, eu digo!
- Muito bom. – Alan a solta – Onde fica?
- Perto de Serra Leoa. É um esconderijo subterrâneo. Eu não sei dizer precisamente o local, mas é lá. Ele vive com a namorada e alguns de seus seguidores.
- Ótimo! – diz ele sorrindo – Mas por que estava ajudando ele?
- O garoto precisava de ajuda, então forneci para ele alguns recursos.
- Que legal de sua parte. De quantos meses está o bebê mesmo?
- De oito meses.
- Interessante.
Alan caminha novamente até a esposa de Sadat, olhando para ela. Ele acaricia barriga e então enfia mão direita dentro da barriga e arranca o bebê de lá. Sadat grita de pavor ao ver a cena. Sua esposa está com a barriga aberta e o intestino pendurado, enquanto que Alan segura o bebê, que está todo ensanguentado, sorrindo para ele:
- Até que ele é bonitinho.
- O que você fez?! – pergunta Sadat chorando.
- Não é a favor do aborto? – pergunta Alan sorrindo – Eu também sou, apenas fiz uma demonstração.
- Meu filho! Minha esposa! O que você fez?!
- Apenas queria que você visse o seu filho antes de morrer.
Alan joga o bebê no chão e pisa nele, esmagando seu crânio. Ele caminha até Sadat, que está aos prantos e lança uma rajada no peito dele:
- Limpem isso.
Ernie e seus discípulos estão caminhando pela floresta. Enquanto caminham, Jane, que está ao fundo, foge. Um dos seguidores a vê fugindo e avisa a Ernie, que logo vai atrás dela. Ela corre o mais rápido que pode, mas acaba tropeçando em uma pedra. Ernie consegue alcançá-la e a agarra pelo braço:
- Por que você está fugindo? – pergunta ele furioso.
- Porque eu não quero mais isso. Eu quero viver.
- Você prometeu estar do meu lado.
- Eu estava cega de amor. Eu achava que você valia a pena, mas você não vale nada!
- Então prefere me abandonar?
Ernie a larga. Ele pega a pedra na qual ela tropeçou e olha:
- O que você vai fazer?
- Se o Garrett achar você, todos nós estaremos em perigo.
- Não, espera!
- Tudo pela revolução, meu amor.
Ele avança para cima dela e bate com a pedra na cabeça dela repetidamente. Quando vê que ela está morta ele retorna para a trilha e continua a conduzir seus seguidores.
Mais tarde Alan e um grupo de soldados estão vasculhando a área, procurando por qualquer indício de um laboratório subterrâneo. A busca leva meia hora. Nesse ínterim, encontram o corpo de Jane, cuja cabeça foi brutalmente esmagada, e Alan, usando seu poder de magnetismo, consegue achar o esconderijo subterrâneo. Ao entrar ali ele sente o cheiro de podridão humana, mas não encontra nada, exceto os monitores que foram destruídos.
Os soldados continuam caminhando pela área até encontrarem pegadas. À medida que eles vão seguindo as pegadas, eles vão encontrando corpos dos discípulos de Graves, totalizando 150 cadáveres, todos mortos com tiros na cabeça. Enquanto as buscas continuam, Ernie está dentro de um avião com o Doutor Gênesis:
- Você matou seus seguidores?
- Não havia espaço suficiente no avião para eles e os soldados precisavam de distração. Mas está tudo bem. Eles morreram por uma boa causa, e agora nós vamos para outro esconderijo onde você me tornará um super-humano.

Perfectus III - Capítulo 3: Alan Garrett

Em Las Vegas, em uma luxuosa cama de um luxuoso hotel, uma prostituta está sendo violentada por Alan. Ver as lágrimas em seus olhos e sua expressão de dor enquanto a penetra o excita. Ele está com a mão sobre sua boca, impedindo-a de gritar. O celular começa a tocar. Ele cessa o ato e atende a ligação, trata-se de algo que aconteceu em uma boate de Los Angeles. Ele sai da cama, veste o seu uniforme e joga o dinheiro no rosto da prostituta que está agonizando de dor.
Ele está usando um novo uniforme, não mais o vermelho e azul, mas sim um branco, para simbolizar a paz, algo que o pessoal da assessoria de imprensa de Ford fez questão de ele usar para assim causar mais impacto positivo. Mas para Alan, ser um símbolo de paz não faz diferença nenhuma, apenas o fato de ter as pessoas sobre seus pés já o faz feliz.
Ele aterrissa na calçada em frente à boate. Lá Gregory Jones vem falar com ele:
- É impressionante a habilidade que vocês têm de me interromper quando estou fazendo algo importante – diz Alan.
- Acredite Garrett, isso é muito importante. – diz Jones – Um grupo de assaltantes atacou o lugar.
- E?
- Pegamos um deles.
- Um dos seguidores do Ernie Graves?
- Exatamente.
- Onde ele está?
- Ali nos fundos. Acompanhe-me.
Alan acompanha Greg até os fundos da boate, onde o criminoso, com hematomas no rosto por ter apanhado, está amarrado e cercado por agentes:
- Este é o homem. – diz Greg apontando para o criminoso.
- Então você é seguidor do Graves, não é? – pergunta Alan sorridente ao criminoso, que apenas o encara com ódio em seu olhar.
- Ele não disse nada desde que o capturamos.
- Você deve ser resistente a surras de meros mortais, mas o lado ruim para você meu caro é que agora você está lidando comigo.
- Ernie Graves é o futuro. – diz o homem cuspindo no pé de Alan.
- Eu não gosto quando cospem no meu pé. Leve-o daqui, eu mesmo o interrogarei mais tarde.
Os agentes levam o homem para fora do estabelecimento colocando dentro de uma picape preta. Enquanto ainda estão dentro, Alan aproveita para tomar uma das bebidas que há no lugar:
- Vai pagar por isso? – pergunta Greg.
- Sou Alan Garrett, e neste momento estou transformando água em vinho. – diz ele enquanto pega uma garrafa de vinho com a mão direita.
- Você não é Deus, Alan. Você é só um moleque mimado que estava no lugar certo, na hora certa. E quase foi morto pela pessoa certa.
- Tome cuidado, eu ainda posso te matar.
- Eu sei que pode. A propósito deixe este seguidor do Graves vivo.
- Ninguém vai sentir falta dele.
- Temos que deixar alguns vivos.
- Pra que?
- Por você ter matado alguns de seus seguidores, Graves tá usando isso como chamariz para atrair ainda mais seguidores. Grupos de seguidores dele estão se formando no mundo todo, e estão aumentando. Só no Brasil a quantidade quadruplicou em menos de um mês.
- Graves pode reunir quantos membros ele quiser, eles não são páreos para mim.
Minutos depois, Alan sai da boate sendo rodeado por jornalistas, paparazzi e fãs alucinadas:
- Sr. Garrett, o que o senhor fará com o prisioneiro? – pergunta um repórter.
- Nós iremos prendê-lo e iremos interrogá-lo.
- É verdade que você matou os seguidores de Graves que você capturou no último ano?
- Não. Se o Graves disse isso ele está mentindo, todos sabem que os seguidores dele estão sendo mantido presos. O que Graves quer é criar discórdia entre nós, ele quer que nós cedamos ao medo e ao ódio, mas não podemos. Nós, e não somente o povo americano, mas o mundo todo, temos que permanecer unidos, deixar o amor mais falar mais alto e não o ódio.
 A uns poucos metros de distância, Evelyn, agora acordada e com curativos na cabeça, vê Alan no meio da multidão. Ela corre até ele:
- Alan! – grita ela.
Ele se vira e a vê, mostrando-se surpreso:
- Evelyn Tyler. – diz ele esboçando um leve sorriso – Há quanto tempo não nos vemos? Será que poderiam me dar licença pessoal? – diz ele para a multidão – Tenho que conversar com uma velha amiga.
Os dois andam alguns metros à frente, distanciando-se da multidão. Assim que Anna localiza Evelyn, ela corre até ela:
- Evy, pra que correr daquele jeito? – pergunta Anna esbaforida.
- Ah, olha só que bela moça nós temos aqui. Qual é o seu nome?
- Ah... Anna. – diz ela um pouco sem graça.
- Belo nome.
- Alan, eu tenho que falar com você.
- Muitas pessoas precisam falar comigo, Evelyn. Sou um homem ocupado.
- Cadê o Barry?
- Esse não é o momento para responder a isso. É estranho estar interessada nele agora. Ele era apaixonado por você, mas você nunca deu uma chance a ele.
- Onde está o Barry? – pergunta ela gritando.
- Por que não se acalma? – diz ele colocando a sua mão esquerda sobre o ombro direito dela.
- Me diga onde está o Barry.
- Preso. Onde mais ele poderia estar?
- Eu quero vê-lo.
- Não é possível isso.
- Por que não?
- Ele não é um prisioneiro comum.
- Eu quero ver ele. Por favor, eu te imploro.
- Ah, Evelyn. Tão meiga, mas tão estúpida. Esqueça o Barry, o mundo já se esqueceu dele. Eu tenho mais o que fazer.
- Não, não tem. – diz ela segurando pelo braço.
- Você sabe que eu se eu voar agora nesse instante seu braço será arrancado, não é?
- Eu não vou deixar você sair daqui enquanto não me dizer onde está o Barry.
- Evelyn, se acalma. – diz Anna segurando Evy pelo braço.
- É, escute sua amiga, ah... Qual é mesmo seu nome?
- Pela última vez, onde ele está? Eu quero vê-lo.
- Me largue.
- Ele está na Wertham? – pergunta Evy, com os olhos se acumulando de lágrimas.
- Me largue agora, Evelyn.
Ele a agarra o braço dela:
- Está me machucando! – diz ela.
- Ótimo. Agora me deixe em paz e vá continuar com sua vida.
Ele sai de lá voando, lamentando não ter matado Evelyn ali mesmo, mesmo que isso significasse se revelar ao mundo como o assassino frio que é. Alan não se importa mais em impressionar as pessoas. A vida se tornou tediosa. Dar autógrafos, aparecer nas capas de revistas e nos sites de fofocas, tirar fotos com as fãs histéricas e fodê-las depois, nada disso o satisfaz mais. A única coisa que o tem deixado satisfeito com o passar dos anos é matar pessoas, não importa quem seja.
Ele chega a um armazém abandonado, próximo à estrada. O lugar é bagunçado e empoeirado e cheio de dispositivos tecnológicos, alguns em funcionamento e outros não. O residente do local é jovem prodígio conhecido como Cyber King, especialista em tecnologias. Alan veio buscar com ele um capacete de interface neural, que o permite controlar seu exército de elite, que são super-humanos com chips implantados no cérebro:
- Olá, Alan. – diz Cyber King caminhando de um jeito desengonçado e com os óculos desalinhados.
- Terminou de fazer os reparos em meu capacete?
- Oh, sim. Deixe-me pegá-lo para você.
Cyber caminha até a sua mesa e pega o capacete de Alan:
- Aqui está. – diz ele entregando o objeto.
- Muito obrigado.
- Faça o teste.
Alan põe o capacete e consegue ter acesso não só aos seus soldados super-humanos como também a todo o armamento exército:
- Fascinante. – diz Alan sorrindo.
- Eu disse que valeria a pena.
- O engraçado é que Granger, pelo menos pelo que eu ouvi, conseguia de alguma forma se conectar a qualquer aparelho do mundo, e eu nunca consegui.
- Mas não vai precisar. Essa belezinha vai fazer todo o trabalho.
- Sim, fará. Mas não agora.
- Mas o que está esperando?
- Se há uma coisa que aprendi com Ruth Renée Ford foi a ter paciência. E você? Com o que eu te paguei você pode arranjar um esconderijo novo. Melhor que essa merda aqui.
- Mas eu adoro esse lugar. É o meu santuário, o meu reino.
- De qualquer forma, muito obrigado.
- Imagina! Se quiser que eu faça outro servicinho desse...
- Na verdade não será necessário.
- E por que não?
- Porque você vai morrer.
Alan atira uma rajada no rosto de Cyber King, estourando a cabeça do rapaz. O corpo cai duro no chão:
- Desculpe por te matar, mas eu tinha que matar alguém.
Alan vai para sua mansão em Malibu, um lugar luxuoso cujas paredes estão repletas de pôsteres em homenagem a Alan. Ele abre a geladeira, pega uma garrafa de uísque e bebe alegremente, sentado na varanda observando o céu noturno.
Na tarde seguinte, uma jornalista jovem Susan Lemon está dirigindo em até a mansão de Alan. Ela teve uma relação bem rápida com Alan ano passado. Ela sai do carro, trajando uma camiseta branca, um short jeans curto e calçando sandálias, caminha até a porta. Ela aperta a campainha e a empregada atende:
- Pois não, senhora? – pergunta a empregada.
- Oi, meu nome é Susan Lemon. Eu tenho uma entrevista marcada com o Sr. Garrett.
- Ah, a jornalista. Entre, por favor.
- Obrigada. – diz Susan, entrando na mansão.
Assim que entra, ela não consegue esconder o quão está impressionada com a luxúria da mansão, mas ela logo deixa de se impressionar ao ver os vários pôsteres, quadros e outras coisas feitas em homenagem a Alan. Ela caminha pela sala e Alan desce as escadas, trajando uma camisa amarela clara, bermuda de cor bege e sandálias, além de carregar um copo de uísque. Assim que a vê, ele logo esboça um sorriso:
- Olha só! – diz ele empolgado – Que bom ver você aqui.
- Eu queria poder te dizer o mesmo.
- Ainda chateada por uma coisa que aconteceu meses atrás?
- Por você ter feito sexo comigo e me descartado há um ano?
- Pelo que eu me lembro, você gostou. E se ainda está chateada, por que veio aqui?
- Faz parte de meu trabalho ir a locais indesejáveis.
- Vai ficar querendo discutir ou podemos começar esta entrevista?
- É pra isso que estou aqui.
Os dois se sentam próximos à varanda, enquanto que a empregada serve um copo de suco de laranja para Susan e outro para Alan:
- Saia. – ordena ele para a empregada – Então, o que quer saber?
- Deixe-me apenas ligar o gravador do celular. – Susan retira o celular da bolsa e aperta a tecla para começar a gravação – Pronto. Vocês conseguiram localizar o tal Doutor Gênesis?
- Não ainda estamos procurando por ele. Infelizmente é alguém bastante difícil de ser encontrado. Os recursos dele são tão bons quantos os nossos, por mais que eu odeie admitir.
- Esta Crise Super-Humana está perto de terminar? Muitas pessoas estão assustadas com a incidência de super-humanos que tem surgido, com a grande maioria tendo usado suas recém-descobertas habilidades para cometer crimes, sem contar o fato de muitos deles terem se unido a Ernie Graves.
- Eu entendo. De fato, a taxa de super-humanos que surgiram nos últimos dois anos graças ao Doutor Gênesis poderia ser considerada bem... Assustadora, mas estamos cuidando disso. Infelizmente não posso dizer quando de fato isso irá acabar, mas queremos muito que esse reinado de terror acabe e as pessoas voltem a se sentir seguras.
- Os super-humanos que são capturados vivos... Para onde são levados?
- Para a Prisão Wertham.
- A mesma onde Barry Granger está preso?
- Sim.
- Por que ninguém nunca visitou a Wertham?
- A Wertham possui os super-humanos mais perigosos que o mundo já viu. A instalação é com certeza a mais segura que existe. Se um super-humano conseguisse escapar de sua cela, ele ainda não conseguiria sair de lá. A instalação foi projetada para isso, agora imagine se você, por exemplo, estivesse ali quando um super-humano escapasse. Sim eles usam dispositivos como tornozeleira ou pulseiras que impedem eles de usarem seus poderes, mas todos os presos ali são psicóticos. Sem os poderes continuam perigosos.
- E o exército de super-humanos que você tem a seu dispor.
- Alguns são super-humanos que se ofereceram de boa vontade. Outros são alguns dos que eu capturei.
- E como eles são integrados ao seu exército?
- Temos um programa de assistência e recolocação na sociedade. Aqueles que estiverem dispostos a cooperar têm suas penas reduzidas atuando comigo para ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Eu acredito que não importa o crime, todos mereçam uma segunda chance de serem ressocializados.
- Até mesmo Ernie Graves?
- Sim.
- E quanto a ele? Algum sucesso em localizá-lo?
- Não. Ele é também é tão difícil de encontrar assim como o Gênesis. O máximo que conseguimos encontrar é a pilha de corpos que ele deixa para trás.
- É verdade que você matou os seguidores dele que você prendeu?
- Como eu tenho dito, não. Eles chegam vivos.
- Mas há informações de que pelo menos um morreu.
- Sim, ele se suicidou.
- Pois bem, está havendo grande tensão entre o governo americano com o governo russo e o governo norte coreano. Você está envolvido nas negociações de paz?
- Sim. Na verdade, sendo que nesses países também temos muitos seguidores de Graves, e sendo que eles também estão tendo problemas com surgimento de novos super-humanos, estamos vendo uma oportunidade para nos unir em prol de uma causa em comum.
- O inimigo do inimigo é meu amigo?
- Exatamente. – diz Alan sorrindo.
- E quanto à super-humana criada pelo governo russo, Annastassia Romanoff?
- Ela é uma boa lutadora. Já tive oportunidade de trabalhar com ela uma vez.
- Sr. Garrett, há algum tempo atrás houve uma denúncia de uma jovem alegando ter sido abusada sexualmente por você?
- Isso são mentiras. Não houve nenhum abuso sexual. Todos sabem que eu sou um grande defensor dos direitos das mulheres, inclusive pelo direto delas terem controle sobre o corpo delas. E eu abomino a cultura de estupro que há em nossa sociedade.
- Então por que após ela ter feito essa denúncia, outras três surgiram.
- Puro oportunismo, Susan. Mais alguma pergunta?
- E quanto a fotos que vazaram de você tendo dado festas com drogas nas quais estavam presentes adolescentes?
- Você estava nessa festa.
- Mas que merda! – ela furiosamente aperta a tecla para parar a gravação – Está querendo arruinar a minha carreira?
- Pare de tentar me difamar.
- Só estou fazendo perguntas que o povo quer saber.
- Susan, Susan... – diz ele rindo – Tão graciosa. A não ser que você queira tomar algumas bebidas comigo, você está convidada a sair. E se quiser manter sua carreira, melhor editar esta parte da gravação.
No dia seguinte, Alan, trajando seu uniforme, chega à Casa Branca e caminha até o Salão Oval para conversar com Ruth Renée Ford, que está sentada em sua cadeira, tomando um copo de uísque:
- Olá Garrett. – diz ela colocando o copo em cima da mesa.
- E então, o que você quer?
- Soube da sua entrevista com a Susan Lemon.
- Ela é uma puta. Não dê credibilidade a ela.
- Ela e outros têm feito artigos querendo desacreditar você.
- Eles podem tentar. Sou o homem mais amado do mundo.
- Sim, mas homens amados podem se tornar odiados um dia. Eu era a mulher mais amada do país, do mundo, e agora as pessoas me questionam. Está ficando difícil arranjar uma explicação razoável para as prostituas que morreram depois de terem feito sexo com você, falando nisso.
- Foi um acidente.
- O seu desentendimento com aquela ex-namorada sua dos tempos do ensino médio também foi um acidente?
- O que você tá querendo dizer?
- Você está perdendo o controle, está sendo descuidado. Na próxima vez que for matar alguém, seja cuidadoso.
- Não tem que se preocupar comigo. E quanto ao Graves, conseguiu alguma informação sobre ele?
- Capturamos mais dois seguidores deles, mas eles preferem perder as bolas a falarem sobre onde esse filho da puta está.
- Ele tem seguidores bem fieis.
- Precisamos dar um jeito nele rápido. O bando dele está crescendo muito.
- Está com medo de um cara como ele?
- Cada vez mais vejo pessoas insatisfeitas com o meu governo, enquanto ele atrai cada vez mais, incluindo os super-humanos. Agora saia daqui, Jones está aguardando você no andar subterrâneo.
Alan chega ao andar subterrâneo, onde Jones o aguarda:
- Onde é a missão, Jones?
- Lembra-se daquele grupo terrorista nos arredores da fronteira entre África do Sul e Lesoto?
- Remanescentes?
- Sim. Soubemos que eles podem ter alguma relação com Ernie Graves e que podem estar recebendo dinheiro dele.
- Isso me soa interessante.
- Quer usar os nossos homens, ou o seu esquadrão especial?
- Aquele bando de zumbis da Wertham? Por favor, eu posso fazer isso sozinho. É hoje que eu pego o Graves.
Em menos de uma hora, Alan chega ao local onde o grupo terrorista está localizado. O grupo terrorista está em um acampamento. Além dos homens armados há mulheres e crianças com uma aparência frágil. Dentro de uma das barracas é possível os gritos de um homem que está sendo torturado. Alan se esconde na floresta, apenas observando.
Ele entra no acampamento com todos os homens armados atirando nele, mas nenhum tem chance contra ele. O rapaz não se contenta em matar apenas os homens, ele vai atrás das mulheres e crianças também. Gritos de terror e sangue de inocentes aglomeram junto com tiros. Um dos homens abre uma gaiola de onde sai um homem grande com cicatrizes no rosto. Ele se move bem rápido, bem forte e consegue derrubar Alan.
Ele se levanta e os dois se enfrentam, enquanto que a pele do homem vira pedra e ele cospe lava em cima do rosto de Alan. Apesar de ser atingido por alguns socos, Alan é mais forte e mais poderoso e consegue facilmente derrotar o homem, quebrando a coluna ao encerrando a luta.

Ele caminha alegre olhando para os corpos e entra em uma das barracas. Há armas, vários tipos de drogas. Ele também vê uma caixa com a logomarca de uma empresa: a Indústria Hórus, pertencente ao empresário Djedhor Sadat, que contrabandeou drogas paras os Estados Unidos, México, Brasil e para alguns países da Europa. Vendo essa caixa e sabendo do passado de Sadat, faz Alan lembrar que Sadat era amigo de Ethan Graves, um dos homens mais poderosos do submundo do crime de Nova York que tinha uma ampla rede de distribuição de drogas, e que era pai de Ernie Graves. Sendo assim, Alan já sabe quem pode levá-lo até Graves.
Antes de ir interrogar Sadat, Alan carrega o homem que acabou de derrotar e o leva até a Prisão Wertham, a prisão de segurança máxima para super-humanos construída há dois anos. O lugar é uma imensa fortaleza de aço com quatro andares mais um andar subterrâneo e contém cerca de 500 super-humanos, sendo que a metade desses super-humanos faz parte do tal esquadrão especial de Alan. A maior parte deles foi criada por um homem chamado Doutor Gênesis, já outros são aqueles que conseguiram reproduzir a fórmula do Projeto Perfectus, mas em uma versão bem mais inferior e instável.
Alan entra na ala de pesquisas e deixa o homem ali para cientistas analisarem o seu DNA. Saindo de lá ele vai para a ala de segurança, conversar com um dos homens ali:
- Como está o prisioneiro 001? – pergunta Alan.
- Tentou cometer suicídio de novo.
- Mas vocês o salvaram, não é?
- Sim.
- Ótimo.
- Sr. Garret, posso fazer uma pergunta?
- Faça.
- Por que não deixa o 001 se matar?
- Eu apenas acho divertido ele tentar se matar e nós sempre aparecermos para salvá-lo, justamente para fazê-lo continuar vivendo em sua miséria.
- Então por que não o integra no seu esquadrão.
- Não, o 001 não é igual os outros.  Eu quero que ele continue vivo para fazê-lo sofrer e então matá-lo com o mundo todo vendo.