Translate

domingo, 12 de novembro de 2017

Perfectus III - Capítiulo 14: A queda do império

Barry e Evelyn ficam em celas isoladas e separadas. Enquanto ele tenta desesperadamente quebrar a pulseira inibidora, Evelyn recebe a visita de uma advogada de defesa, que chega acompanhada de Alan:
- Olá Srta. Tyler. – diz ela estendendo a mão para cumprimentar Evelyn – Eu sou Evangeline Lawton. Fui enviada para ser sua advogada.
- Considere uma cortesia da Presidente Ford, Evelyn. Não deveria ter escondido Barry, mas podemos fazer com que sua pena seja menor. Que tal alegar que Barry te forçou? Usar a história do machista opressor sempre dá certo.
- Por que você não nos deixa em paz, Alan? – pergunta Evelyn – Nada disso é necessário. Não somos animais! – grita ela, se levantando e encarando-o – Barry não é um monstro, você é que é o monstro, você é quem devia estar trancado em uma cela!
- Sim. Mas a dura verdade é que isso não importa. Eu tenho que ir. Tenha uma boa conversa com sua advogada.
Alan se dirige para a cela em que Barry está e ri da tentativa desesperada do jovem de tentar quebrar a pulseira inibidora:
- Você já tentou isso antes e nunca funcionou, Granger.
- Eu consegui fugir, e vou conseguir de novo. E quando eu conseguir eu vou atrás de você e da Ford.
- Claro que vai. Mas não se preocupe porque eles irão te soltar. Provavelmente amanhã
- Como assim?

- Espere e amanhã você verá. Você está prestes a ser parte do maior espetáculo da história humana. Até amanhã, Granger.
Annastassia está hospedada no Wellington Hotel, o hotel em que o presidente da Rússia também irá se hospedar, pois ele chegará amanhã ao hotel devido a uma reunião de emergência da ONU que foi marcada após a captura de Barry Granger. Após sair do banho enrolada em um roupão, Annastassia assiste pela televisão as informações acerca desta reunião de emergência, bem como as informações do estado de saúde de Ruth Renée Ford, que deve ser liberada amanhã e ir direto para a ONU para a reunião.
Ela olha pelo olho mágico e descobre que é apenas uma surpresa desagradável. Irritada, ela abre a porta:
- O que você quer Garrett?
- Esse hotel me traz boas lembranças. Achei que a gente podia revivê-las.

- Ou você pode sair daqui e foder alguma de suas fãs.
- Eu preferi ver você hoje. Posso entrar? Juro que não ficarei muito tempo.
- Como você entrou no hotel?
- Eu sou Alan Garrett, posso entrar onde quero e quando quero.
- Mas não aqui. Vá embora, Alan.
Ela fecha a porta na cara dele e caminha em direção ao frigobar para pegar uma bebida. Alan chuta a porta, derrubando-a, e entra no quarto. Annastassia avança para cima dele e tenta golpeá-lo com um chute, ele se desvia. Ela tenta atacar novamente, mas ele bloqueia, a agarra pelo pescoço, corre até a janela e a joga de lá. Annastassia cai em cima da beirada de um telhado de um prédio em frente ao hotel, quebrando suas costelas e seu braço esquerdo. Ela tenta se segurar, mas acaba caindo.
Alan voa até ela, pegando-a pelo tornozelo e arremessando-a contra uma janela de outro prédio. Com cacos de vidro encravados em seu corpo, ela se arrasta, tentando encontrar uma saída e tentando pensar no que irá fazer:
- Desculpe por isso. – diz Alan que acaba de atravessar a parede.
- Por que você está fazendo isso?
- Em parte porque eu estou querendo fazer isso há muito tempo. – ele pisa nas costas delas e depois a pega novamente pela garganta – Mas tem também o fato de que você não vai ser necessária para o espetáculo. – ele a joga contra o teto – A sua função é me deter caso eu me torne uma ameaça para a Rússia. Esse momento chegou, mas você não vai me deter.
- Eu vou... – diz ela enquanto se levanta com dificuldade – Nem que seja a última coisa que eu faça.
- Bem, realmente vai ser a última coisa que você irá tentar fazer.
Ele a agarra pelos braços e voa com ela em direção a uma montanha:
- O que estamos fazendo aqui? – pergunta ela.
- É que eu sempre quis saber o quanto você consegue absorver das minhas rajadas.
- Você sabe que isso me deixará mais forte.
- Claro que sei, mas será que você aguenta tudo?
Ele agarra a cabeça dela e joga toda a carga de rajada nela. De início, Annastassia se sente mais forte, até que a alta carga começa a lhe causar mal estar, e do mal estar ela começa a sentir fortes dores no corpo, que começam a se tornar cada vez mais insuportáveis. Ela tenta ficar firme, mas começa a se sentir cada vez mais esgotada:
- Para! – grita ela.
- Desculpe, mas eu não quero.
Ele continua a jogar toda a carga máxima de suas rajadas nela, até que ela começa a sentir seu corpo se destroçar. A pele dele racha, emanando uma luz brilhante, até que o corpo dela explode em um grande feixe de luz, destruindo parte da montanha. A fumaça se dissipa, com Alan saindo dela quase completamente nu já que suas roupas foram praticamente destruídas:
- Uma já foi.
Alan retorna para sua mansão, toma banho, se veste e vai assistir televisão enquanto fuma maconha. No noticiário é comentado sobre o suposto desaparecimento de Annastassia Romanoff após uma luta perto do hotel em que ela estava hospedada. O âncora do jornal diz que não há informações sobre quem foi o responsável, mas suspeita-se que seja algum super-humano irregular. Logo após o âncora dizer isso, seu celular toca, é Jones ligando para ele:
- O que você quer Jones? Eu estou de folga hoje.
- Acho que você acabou de ver o que eu vi no noticiário.
- Sim, a Annastassia desapareceu. Pena.
- É, e o Presidente da Rússia está muito irritado com isso. Você não saberia de nada, saberia?
- Não, não saberia. Olha Jones, eu tenho mais o que fazer e eu quero dormir porque vou ter que acompanhar aquela puta velha na reunião da ONU amanhã.

Ele desliga o celular e continua assistindo ao noticiário, informando agora que Ford foi liberada do hospital e pegou um jato para vir para Nova York para a reunião de emergência da ONU, sendo chamada de “mulher de fibra por uma das jornalistas” por estar se prontificando para a reunião ao invés de ficar em repouso. Em seguida começa o bloco de fofoca comentando sobre o possível relacionamento amoroso entre Barry Granger e Evelyn Tyler, com o apresentador do bloco sugerindo que eles tinham um romance secreto no ensino médio e que esse romance foi a causa do término do namoro entre Evelyn e Dylan Todd.
O próximo assunto do bloco é a vida amorosa de Alan, relatando sobre um suposto affair entre ele e a cantora Alana Memphis. De fato eles chegaram a se relacionar, mas foi apenas um sexo casual. O bloco da fofoca termina e outro bloco começa, comentando sobre a vida de Alan Garrett, contando que ele é filho de Adrian e Kimberly Garrett, nascido em Nova Jersey e tendo se mudado para Nova York em 2012 aos cinco anos de idade.
Ver essa matéria dedicada à sua história o faz se lembrar de seu passado. Seus pais, Adrian e Kimberly, eram um casal de imobiliários. Alan nunca teve empatia pela mãe, sempre a enxergou como uma estranha, enquanto que com o seu pai, mesmo também não sentindo qualquer empatia por, ele procurou seguir o que seu pai lhe ensinara desde pequeno que era ser sempre o melhor e pise em todos que estiverem em seu caminho, naqueles que representarem uma ameaça para sua conquista à grandeza.
Alan havia estudado por boa sorte de sua vida em escolas particulares, no entanto foi obrigado a estudar em uma escola da rede pública depois que foi aprovada uma lei pela Presidente Ford que fechou todas as escolas particulares nos Estados Unidos da América. Com isso, em 2022, Alan foi estudar na Escola Secundária Jackson. Até então ele era o melhor nos esportes, o mais inteligente e o rapaz mais belo. Mas na Jackson ele conheceu Barry, que naquele período era um garoto cheinho menosprezado por quase todos os colegas de sala, mas Barry rivalizava com Alan no quesito inteligência, e para ele isso era inaceitável, sendo esse o motivo inicial para ele passar a humilhar Barry.
Um mês após começar a estudar na Jackson, a mãe de Alan se separou do pai dele, pois se apaixonou e engravidou de seu nutricionista. Não querendo um irmão bastardo, Alan matou sua mãe. Ele a visitou num sábado à noite, dizendo que queria saber como ela estava e que queria conversar com ela. Enquanto ela foi pegar uma xícara de café, Alan entrou na cozinha, pegou uma faca e enfiou na barriga dela matando o bebê dela. Ele ainda se lembra da expressão de horror que ela tinha ao ver o próprio filho fazer isso:
- Por que você fez isso? – ela perguntou chorando.
- Porque você não deveria ter outro filho, ainda mais um bastardo. – disse ele com uma expressão sem vida e gélida.
Ele a agarrou pelos cabelos e enfiou a faca na garganta dela várias vezes. Ele contou ao pai o que tinha feito, mas sem qualquer remorso em sua voz. Com a ajuda de um contato de seu pai, não foi encontrada nenhuma evidência que o ligasse à morte dela. Na verdade quem levou a culpa foi o nutricionista, que teve provas plantadas para que fosse incriminado, algo que Adrian quis fazer como vingança.
Quando Alan se revelou ao mundo como o Voador Vermelho e Azul em 2025, sua vida mudou alcançando os céus como um cometa, enquanto a de Adrian começou a entrar em declínio. A falha em superar a morte de Kimberly o fez entrar em depressão e a gastar o dinheiro em jogos, e como perdeu todo o se dinheiro, ele havia passado a pedir dinheiro emprestado para Alan, até que uma noite Alan deu um fim nisso.
Foi em uma noite de julho em 2027. Alan havia retornado à sua mansão após estar em uma festa para angariar fundos para caridade. Ao entrar ele havia encontrado sentado no sofá:
- Olá filho.
- Olá Adrian.
- Como você está?
- Eu mandei você não aparecer aqui de novo.
- Você vai me matar como matou sua mãe?
- Ela mereceu, e se eu me lembro bem, você não reclamou. Não queria ter uma mãe puta nem um irmão bastardo. Por que está aqui?
- Eu preciso de dinheiro.
- Eu te dei uma quantia bem generosa da última vez.
- Eu perdi.
- Como?
- Eu estive jogando.
- Achei que você tinha dito que ia parar.
- Eu não resisti.
- E agora você quer que eu te empreste mais dinheiro.
- Você é tudo o que eu tenho.
- É engraçado. Você me fez ser quem sou, educou-me para ser o homem superior que sou hoje. Você se tornou apenas uma sombra do que era. Você se tornou patético. E está me incomodando, então vá.
- Vai me emprestar o dinheiro ou não?
- Diga à mãe que eu mandei um abraço.
- Como?

Ele se virou e socou o rosto de seu pai com tanta força que esmagou a cabeça dele. Ele não sentiu nenhum remorso e até hoje não sente. Na verdade relembrando disso ele se orgulha por perceber o quão longe chegou, e amanhã será o dia que ele alcançará sua grandeza máxima.
Ruth chega de madrugada à Nova York e é levada a um hotel. De manhã, precisamente às 07h04min, Alan chega voando ao hotel, trajando um terno típico que um agente do governo usa. Ele atravessa o saguão de entrada e informa à recepcionista quem é e pede para ela lhe informar o quarte em que Ruth está. Após o número do quarto ser informado, ele pede o número dela:
- Bem, Sr. Garrett... – diz ela pega de surpresa pelo pedido.
- Me chame de Alan.
- Bem, Alan, este não é o momento adequado. Mas eu posso te dar o meu número mais tarde.
- E eu vou esperar. Vejo você depois.
Alan pega o elevador e chega ao quarto de Ruth, uma suíte localizada no último andar cujo número é 1044. Alan bate na porta e uma das assistentes dela abre a porta, enquanto a outra a ajuda a colocar a tipoia no braço:
- Você chegou atrasado, Garrett.
- Só uns quatro minutos, o mundo não vai acabar.
- Ah, mas ele vai.
Após a assistente terminar de ajudá-la a colocar a tipoia, ela manda ela e a outra assistente saírem:
- Hoje vamos fazer isso. – diz Ruth.
- Fazer o que?
- Eu estava planejando esperar mais uns meses, mas não. Estou na presidência desde 2021, eu tracei um plano perfeito, mas houve contratempos e estes contratempos me atrapalharam. Agora o cenário está propício. Eu vou dominar este mundo hoje e para sempre. Hoje na ONU os governantes de todas as nações estarão presentes, e nós iremos matá-los. Você matou a Romanoff, não foi? Eu vi a notícia sobre o desaparecimento dela.
- Sim, matei.
- Ótimo. Deixe os seus soldados super-humanos à postos.
- Tem certeza que quer fazer isso?

- Tenho. Esperei tempo demais. O processo seria rápido e pacífico, mas eles se viraram contra mim, e agora eu vou fazer isso do jeito doloroso.
- Suponho que Jones e os outros já estão sabendo disso.
- Sim. Eu os avisei no caminho para cá.
- E como faremos?
- Matamos os governantes e você cuida do que vier. Sempre foi um bom cachorro, e agora você não vai me desapontar.
- Claro que não.
- A propósito, não acha que já é hora de matar Barry Granger.
- Ainda não. Tenho uma surpresa para ele.
Ruth segue para a sede da ONU, chegando junto com os demais líderes mundiais para a reunião de emergência. A reunião começa com os líderes discutindo sobre o que pode ser feito para auxiliar as cidades que foram atacadas pelos seguidores de Ernie Graves, e como evitar que algo assim ocorra de novo. Ruth conta os minutos para colocar o seu plano em ação e matar cada um dos governantes presentes. Ela sente seu coração bater rápido, pois finalmente pelo qual tanto ansiou chegou.
Enquanto isso, Alan, tendo retornado à sua mansão em Malibu, veste o capacete de interface neural, mas ele não ativa somente os seus soldados, ele faz com que todos os dispositivos eletrônicos no mundo todo sejam desativados, isso faz com que hajam várias batidas de carros devido aos semáforos não estarem funcionando e a aviões caírem, já que seus sistemas elétricos também foram desativados. Em sua cela, Barry nota a sua pulseira inibidora repentinamente abrir e cair no chão.
Ele abre a sua cela e procura pela cela de Evelyn, enquanto os policiais correm desesperados para fora da delegacia. Ao encontrar a cela dele, ele arranca a porta:
- O que houve com a pulseira inibidora? – pergunta ela.
- Eu não sei. – Barry responde – De repente ela se desligou.
- Ei, você! – grita um policial que vem abordar Barry – Tem um avião caindo na nossa direção. Você tem que fazer alguma coisa!
Barry corre para fora da delegacia e vê o avião se aproximando em alta velocidade. Antes que o veículo caia em cima da área, Barry consegue pará-lo usando o seu poder de magnetismo, repousando o avião delicadamente no asfalto e ajudando os passageiros a saírem de lá em seguida. Enquanto Barry segue tirando os passageiros um por um do avião, Evelyn, vendo que as pessoas estão em desespero e ouvindo o barulho de carros batendo, vai falar com o policial que avisou a Barry que o avião estava caindo:
- O que houve aqui?
- Eu não sei. – o policial responde – Acho que teve um blecaute total na área, talvez na cidade toda.
Após tirar o último passageiro, Barry vê outro avião caindo em cima de prédios metros à frente. Ele voa para lá desesperadamente procurando sobreviventes. Enquanto isso, na ONU, os líderes mundiais são informados do que aconteceu. Ruth se pergunta o que pode ter causado isso e se Alan está envolvido de alguma forma. Sua resposta vem do teto que se quebra por Alan atravessá-lo e pousar violentamente no chão, rachando-o:
- Senhores... – grita ele – Esta reunião está encerrada.
- O que significa isso? – pergunta um dos líderes gritando.
- É simples, muito simples. – enquanto fala, ele faz todos os celulares, televisões, tablets e computadores no mundo todo transmitirem o que está acontecendo ali dentro – Como você sabem, meu nome é Alan Garrett e hoje nessa alegre manhã, eu convido vocês para um evento, para um espetáculo. Sejam bem-vindos ao fim do mundo! O fim do mundo como o conhecemos e o início de um mundo novo. Há tempos os líderes se reúnem aqui para tentar buscar uma solução para os problemas do mundo, sendo que a verdade é que todos vocês são causadores do problema. Todos vocês são ineficazes, mas eu serei um líder melhor. Afinal eu matei o maior terrorista do século XXI. Eu irei governar este mundo, e vocês, todos vocês irão morrer hoje, incluindo você Ford.
- O que está fazendo Garrett? – grita Ruth desesperada.
- Estou tomando o controle. Não serei mais seu cão, Ford. Fui por muito, mas agora chega. Você não merece ter o controle
- Pare já com isso! – diz Ruth.
- Por quê? Quer saber de uma coisa, que tal se hoje for o dia da verdade? Vamos parar de mentir e revelar toda a verdade já que nesse exato momento todo o mundo está nos assistindo nesse momento. Aliás, Barry, eu não sei se você está assistindo – em Nova York, Barry está sim assistindo por um celular caído no chão – quero que você assista a tudo isso. A grande verdade é que Hong Chan nunca foi o culpado, ele não criou o Projeto Perfectus. O Projeto Perfectus era um antigo projeto que havia sido desativado e depois foi reaberto por debaixo dos panos pela nossa querida Ruth, que contou com o auxílio dos grandes Nicholas Connery e Cassidy Moore.
- Garrett! – grita Ruth.
- E aí Nicholas injetou a fórmula em Barry Granger quando ele era apenas um recém-nascido, e eles ficaram esperando até ele manifestar os poderes e... Bum! Eis que tivemos aquele incidente infeliz onde ele matou quatro ladrões, e aí depois Hong Chan entrou na história apenas para levar a culpa. Eles injetaram a Perfectus em mim para eu ser o primeiro de um exército de super-humanos a serviço de Ruth. Karen Witwer era parte disso, mas foi apenas um experimento mal sucedido, e também todas aquelas pessoas que Barry foi acusado de matar, na verdade fui eu! É isso aí! Eu matei aquelas pessoas para poder incriminar o Barry. Foi só vestir o uniforme que ele usava e pronto. Vocês são tão idiotas que acabaram acreditando em tudo. Eu matei muitas pessoas, inclusive algumas que não viveram para me denunciar por estupro – diz ele rindo – Todos vocês são uns merdas. Não me perceberam enganando vocês, manipulando vocês, nem a Ruth. O plano dela o tempo todo, o plano dela desde que ela se tornou a Presidente dos Estados Unidos da América em 2021, era conseguir dominar o mundo, e a chave seria o Projeto Perfectus. Era para o Barry ser o que eu sou: o cachorro dela. Mas ele não tem coragem para ser um assassino, na verdade, tirando fora os quatro ladrões e ter quase me matado, Barry é inocente de tudo. Vocês estão olhando para o verdadeiro vilão da história. – diz ele erguendo os braços – Ruth inclusive planejou comigo hoje matar vocês primeiro e então dar início à dominação mundial dela. Mas acho que todos vocês sabiam o que queria fazer com o Projeto Perfectus, mas não sabiam que ela queria todo o poder para ela.
- Seu filho da puta! – diz Ruth se levantando e apontando uma arma para ele, para o espanto dos líderes ali presentes.
- Vai mesmo tentar me matar?
- Ford – diz o Presidente da Rússia – Largue esta arma.
- Vá se foder! Vão todos se foder! – grita ela desvairadamente – Eu dei tudo a este mundo, tudo! E você, Garrett, você deve sua vida a mim!
Ruth dispara e o tiro acerta o rosto, mas nada acontece. A bala apenas se retorce, e Alan olha para Ruth com um sorriso sádico:
- Muito bom. Eu aprendi muito com você Ruth. Mas como sempre, o aprendiz supera o mestre, e já está na hora do cão morder a mão do dono.
Ele voa até Ruth e a agarra pelo pescoço, jogando-a no centro da sala em seguida:
- Eu fiz você... – diz ela tentando se levantar enquanto chora – Eu fiz você.
- Sabe qual é o seu problema Ruth? – pergunta ele flutuando até ela – Você queria ter todo o poder em sua mão, mas você não pode simplesmente o poder em suas mãos. Você tem que ser o poder. – ele pousa no chão – Eu sou o poder! – diz ele gritando – E você, Ruth... – diz ele colocando sua mão direita sobre o peito dela – Nunca teve o coração para isso.
Quando ele diz isso, ela sabe o que acontecerá com ela. Ela chora desesperada, pois tudo o que ela fez, todo os passos que ela tomou meticulosamente para concluir seu plano controle absoluto, de nada valeu. E agora tudo o que resta na vida de Ford, em seu último suspiro, é algo quente queimando o coração dela. Ela cai morta no chão após Alan atirar uma rajada que atravessou o peito e desintegrou o coração:

- Barry, eu realmente espero que você esteja vendo isso, porque neste exato momento ativei o lançamento de todos os mísseis existentes na Terra. Então é melhor você se apressar, a não ser que queira ver o mundo virar cinzas.
Após ouvir o que Alan disse, Barry voa para o céu enxergando uma chuva de mísseis nucleares se aproximando. Seu coração se acelera, pois ele teme não consegui deter todos, mas ele tem que fazer isso, precisa fazer isso. Ele voa mais alto e então se concentra, tentando parar todos. Um a um, cada míssil que está convergindo Nova York, ele consegue deter. Focando-se para não deixar nenhum dos milhares de mísseis cair, ele ergue os braços e os joga no vazio do espaço.
Barry se sente aliviado por ter livrado o mundo de ser destruído, mas embora as ameaças não sejam mais mísseis há uma outra lá embaixo, uma outra com poder para destruir o mundo. Furiosamente ele voa para baixo se dirigindo para ONU para fazer o que planejou fazer há anos: deter e acabar com esta ameaça de uma vez por todas.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Perfectus III - Capítulo 13: Cooperação

No dia seguinte, Barry acorda com a luz do sol batendo em seu rosto. A luz logo começa a bater no rosto de Evelyn, reluzindo sua pele branca. Ele se sente o homem mais sortudo do mundo por estar acordando ao lado da mulher que ama.
Ela logo começa a abrir os olhos:
- Oi. – diz ela sorrindo.
- Oi. – diz ele extasiado com todo aquele momento, como se estivesse testemunhando o mais fantástico acontecimento do universo.
- Dormiu bem?
- Fazia tempo que não dormia tão bem. Posso dizer com toda a certeza de que esse é o momento mais mágico de toda a minha vida.
Evelyn o acaricia:
- Está sendo mágico para mim também. A gente podia ficar aqui para sempre, ou fugir para algum lugar mais tranquilo, recomeçar nossas vidas e deixar tudo isso para trás.
- Eu também quero muito isso.
- Mas a gente não vai fugir, não é?
- Eles nunca nos deixarão em paz.
- Mas mesmo que você os detenha, quem garante que teremos paz?
- Nada – ele passa os dedos pelos cabelos dela e depois a acaricia – Eu não quero que isso acabe, não quero que esse momento acabe.
- Então vamos aproveitar enquanto ainda está durando. – diz ela abraçando-o – Eu te amo, Barry.
- Eu também te amo. Eu te amo muito.
Em Moscou, Annastassia está entrando em seu jato particular para ir à Washington auxiliar Alan na busca por Barry. Em Washington, apoiadores de Ernie Graves que não foram presos estão em frente à Casa Branca, protestando contra a morte de Graves, e alguns segurando cartazes com a frase “Ford Traidora”. Policias e militares estão espalhados pelo quarteirão da Casa Branca para impedir que alguém tente invadir o local.
Ruth observa de sua janela o que está acontecendo e sai furiosamente Casa Branca, indo falar com um deles:
- Traidora! – gritam eles.
- Eu quero falar com vocês.
- Srta. Presidente, volte para dentro! – grita um dos militares.
- Não, eu quero saber qual a queixa de vocês.
- Você matou Ernie Graves! – grita um deles.
- Ernie Graves era um terrorista. Não era meu desejo que ele tivesse que morrer, mas aconteceu.
- Ele era um herói! – diz uma jovem de cabelo curto e pintado de azul se aproximando de Ruth – Você é uma fascista!
- E por que eu seria uma fascista?
- Você a porra de uma fascista!
Todos gritam “fascista”:
- Por favor! – grita Ruth erguendo as mãos – Durante estes anos todos em que tenho sido a Presidente dos Estados Unidos da América eu servi a vocês. Eu tornei a América um lugar seguro, eu tornei a América o lugar mais progressista do ocidente.
- Vaca fascista. – grita um rapaz, com o rosto de Che Guevara estampado na camiseta, que dá um tiro no ombro de Ford.
Policiais rapidamente tiram Ford de lá, enquanto um dos soldados atira no rapaz que deu o tiro em Ford. O tiro atinge o seu pescoço e um confronto entre os apoiadores de Graves e os policiais e militares se segue. Enquanto Ruth é levada para dentro para ser socorrida, Alan vem para fora, se colocando entre os apoiadores de Graves e as autoridades:
- Por favor, parem! – grita ele, fingindo preocupação – Nós não devemos lutar, temos que permanecer unidos.
- Você matou Graves! – grita a mesma jovem de cabelo azul – Ele era um herói! Ele nos mostrou a mentira que vocês são.
- Nós não somos uma farsa. Estivemos protegendo vocês... Eu estive protegendo vocês por anos. Tudo o que Graves quis fazer foi nos dividir, e não podemos permitir isso. Vocês têm o direito de protestar, mas não tem o direito de atacar a Presidente dos Estados Unidos da América, uma mulher que tem lutado por vocês por anos.
- Você é um assassino e um estuprador! – grita outro apoiador.
- Não, eu não sou. Eu nunca estuprei ninguém, isto são mentiras espalhadas para denegrir a minha imagem. Graves é quem era um assassino. Seus atos custaram milhares de vidas, incluindo a de seus seguidores. Por favor, chega de derramamento de sangue.

Alan caminha até o rapaz que disparou o tiro em Ford e foi baleado em seguida. Ele olha para os policiais e soldados e pergunta qual deles atirou no rapaz. O soldado ergue a mão:
- Você será devidamente punido. Você não tinha o direito de ferir este cidadão, não importa o que ele tenha feito. – ele carrega o rapaz, que acabou de falecer – Nós não somos os vilões aqui, nenhum de nós. E neste momento, o verdadeiro vilão, o verdadeiro fascista, Barry Granger está por ai.
Ruth é levada para o hospital, com vários repórteres parados em frente para cobrir o ocorrido. Após receber os cuidados médicos, ela é colocada em um quarto, com dois seguranças parados em frente à porta. Alan acena para eles e entra ali:
- Sentindo-se melhor? – pergunta ele.
- Eu nunca pensei que isso fosse acontecer.
- Você não deveria ter ido lá para fora.
- E quanto a Granger?
- Ainda estamos procurando por ele.
- Já deveríamos tê-lo encontrado.
- Granger não é uma ameaça. Não se preocupe, logo iremos encontrá-lo.
- E quanto à russa?
- Vai chegar mais tarde. Eu não preciso dela para encontrá-lo.

- Será bom mostrar cooperação com os russos depois do que aconteceu. Precisamos mostrar união. Agora fique quieto e faça o seu trabalho. Seja um bom cachorro e só volte aqui quando seu trabalho estiver terminado.
À noite, no Aeroporto Internacional Washington Dulles, Alan está ali aguardando pela chegada de Romanoff enquanto está fumando maconha e está olhando pelo celular a foto de uma casa, a casa de inverno dos tios de Evelyn. A DAEE encontrou informações sobre a casa meia hora atrás, suspeitando de que é lá que Barry e Evelyn estão escondidos. O jato dela pousa na pista e ela sai de lá com uma expressão fria. Alan admira a vista, já que Annastassia tem uma beleza única, mas ela é tão carismática quanto um bloco de gelo:
- Bem vinda de volta à América, Romanoff.
- Apenas cumprindo ordens. Mas devo parabenizá-lo por finalmente ter matado Graves.
- Eu também estou orgulhoso de mim. Quer saber como está Ruth?
- Não. Eu não estou aqui para conversar.
- Não sente falta daquela noite que passamos juntos? – pergunta Alan se referindo à uma noite no ano passado na qual eles tiveram sexo.
- Aquela noite foi um erro.
- Pelo que eu me lembre, você gostou.
- Escute Garrett, eu só estou aqui para cumprir uma missão. Entendido?  Já encontraram Granger.
- A DAEE fez uma busca sobre todos os possíveis lugares para os quais Granger e Tyler poderiam ter ido, e então eles enviaram informações sobre uma casa de inverno que pertence aos tios de Tyler. Pode ser lá que os encontraremos.
- Então o que estamos esperando?
- Você. É claro que eu poderia ter terminado isso, mas a Ford quer mostrar que há união entre a América e Mãe Rússia.
- Isso é algo que temos em comum ao menos.
- O que?
- Odiamos ser joguetes de nossos líderes.
- E até quando você irá querer ser?
- Eu aceitei isso para servir ao meu país e irei continuar servindo-o.
- Você é fraca.
- Fraca por querer servir o meu país?
- Sim. Não deveríamos servi-los, eles que deveriam nos servir.
- Como eu disse, só concordamos em uma coisa, e esta não é uma delas.
Manhã, casa de inverno. Evelyn sai do banho, se troca, vestindo uma calça jeans azul escuro, tênis cor cinza claro, uma camiseta de manga longa de cor verde água. Ela caminha até a sala enquanto enxuga o cabelo. Barry, que está vestindo uma calça jeans azul escuro, tênis preto, camiseta azul escuro e uma camisa de flanela vermelha xadrez, está colocando o café da manhã em cima da mesa e sorri ao vê-la chegando. O brilho dele voltou, e isso a faz sorrir também. Ela coloca a tolha em cima da cadeia e caminha até ele, envolvendo-o em seus braços:
- Tem certeza de que não quer ficar aqui? – pergunta ela após beijar os lábios dele suavemente.
- A gente pode ficar em outro lugar. Na verdade, eu estive pensando... Se tudo der certo, depois que eu deter eles... Apesar de que eu não sei em que cenário isso é possível, mas eu... Eu te amo há anos e eu quero começar uma vida nova com você. Eu não sei se isso será possível, não sei se a gente vai conseguir, mas eu quero. E... – ele respira fundo e esfrega o rosto.

- Barry, o que foi?
- É que eu quero um futuro, eu quero um futuro com você e eu quero que as coisas fiquem bem para a gente. Eu não sei se vão ficar, eu não se eu estou sendo prudente em fazer isso, mas eu quero ter um futuro com você.
Barry respira fundo novamente, se ajoelha, ergue sua mão esquerda fazendo-a ficar envoltas por raios. Os raios se aglomeram e formam uma espécie de anel. Evelyn, olha a tudo sem entender até que ela compreende o por que de Barry estar fazendo isso, sentindo-se seu coração se acelerar. Barry então olha para ela, com seu coração também acelerado:
- Evelyn, quer casar comigo?
Ela fica em silêncio, enxugando as lágrimas de emoção pela pergunta. Ela se ajoelha e agarra Barry, beijando-o:
- É claro que eu aceito!
A campainha da casa toca:
- Mas quem será? – pergunta ela.
- Seus tios costumam receber visitas quando vem aqui?
- Eu não sei. Por que, você acha que...?
- Eu acho que a gente pode ter que sair daqui.
A campainha toca de novo e agora acompanhada de batidas na porta:
- A gente tem que ir. – diz Barry.
- A gente sai pelos fundos e segue por dentro da floresta.
- Está bem.
Após ela pegar uma blusa de frio e vesti-la, Evelyn e Barry saem pelos fundos da casa, saindo do que se tornou sua pequena fortaleza de amor e conforto, e voltando para a escuridão do mundo. Eles caminham pela floresta silenciosamente, até que eles ouvem barulhos e então soldados saem de lá e apontam armas para eles. Evelyn se agarra em Barry e ele lança uma rajada em volta para afastá-los, saindo de lá voando em seguida e levando Evelyn com ele.
Enquanto voam, eles veem uma figura familiar flutuando, uma figura que Barry não via há anos:
- Olá, Barry e Evelyn.
- Alan. – diz Evelyn.
- Que tal a gente conversar lá embaixo?
Alan pousa primeiro no chão enquanto Barry pousa junto com Evelyn:
- Você parece melhor do que da última vez que o vi. Parece que a Evelyn foi o seu remédio. – diz ele rindo – Mas vamos ser rápidos com isso e te levar de volta para a cadeia, que tal?
Barry cerra os punhos e avança para cima de Alan. Ele tenta atacar com um golpe, mas Alan bloqueia. Barry contra ataca com um chute no joelho e em seguida um soco no rosto, seguido de uma rajada no rosto de Alan. Aproveitando que Alan está atordoado com a rajada, Barry lança mais uma rajada que o derruba no chão. Ele agarra Evelyn e foge voando com ela, mas Alan os alcança rapidamente a agarra o tornozelo direito de Barry, jogando ele e Evelyn para baixo.
Enquanto caem, Barry se vira deixando Evelyn virada para cima a fim de protegê-la da queda. Eles se chocam em uma árvore. Barry verifica se Evelyn está bem, com a jovem apresentando apenas um pequeno corte na testa e no lado direito da face. Alan surge rapidamente lançando rajadas contra eles, não dando tempo a Barry de proteger Evelyn do ataque. Ele se levanta, mas ela está caída. Desesperado, ele verifica se ela está respirando e felizmente ela está.
Alan tenta atacar Barry novamente, mas ele consegue se desviar e agarra Alan pela garganta, enforcando-o e atingindo o pescoço dele com uma forte carga elétrica:
- Eu vou fazer o que eu deveria ter feito há anos! – grita Barry.
Mas antes que Barry consiga fazer o que não fez naquela noite em 2024, Annastassia o agarra por trás e o joga no chão. Ela desfere vários socos no rosto dele, e ele a afasta lançando uma forte rajada. Com o impacto da rajada, ela é arremessada para dois metros longe dali. Barry se levanta e volta sua atenção para Alan, que dispara várias rajadas na direção dele. Barry se desvia de uma, mas é atingido pelas outras.
Alan então o atinge com uma forte rajada, e no mesmo instante que a rajada atinge Barry, Annastassia ressurge lançando uma rajada em Barry, provinda da rajada com a qual ele a atingiu. Barry cai no chão, ficando inconsciente por poucos minutos, mas o suficiente para Alan colocar nele uma pulseira inibidora e algemas em seus pulsos.
Ele e Evelyn, que recobrou a consciência, são colocados em uma viatura e levados para Nova York. Ao serem retirados da viatura e levados para dentro da delegacia, eles são bombardeados por flashes e por perguntas inconvenientes de jornalistas. Ambos pensam na casa de inverno, que se tornou o pequeno refúgio de segurança e do amor deles. Agora eles estão na escuridão do mundo, e ela está gritando pela alma deles.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Perfectus III - Capítulo 12: "Para sempre começa esta noite"

Sendo que não há mais sinal dos soldados super-humanos de Alan, Evelyn e Barry saem da floresta e rumam para a casa de inverno dos tios dela. O choque de temperatura é forte, pois em Los Angeles está quente e em Nova York está frio, mas Barry eletriza levemente o corpo de Evelyn para aquecê-la.
Assim que entram na luxuosa casa, Evelyn procura pelo aquecedor, mas como após encontra-lo ela não encontra o botão para ligá-lo, Barry vai até a lareira e libera uma leve rajada para acendê-la:
- O fogo está aceso. – diz ele.
- Ah, bem melhor. – diz ela.
- A casa é bonita.
- Sim. – diz ela olhando para o lugar de cima a baixo – Muito.
- Nunca esteve aqui?
- Não. Só vi pelas fotos que eles compartilhavam no Facebook. Eu preciso me sentar. – diz ela caminhando até o sofá.
- Você está bem?
- Você já me perguntou isso.
- Você está bem?
- Eu estou viva, e meu antebraço está doendo um pouco. Eu estou bem, não se preocupe. Vem cá. – diz ela estendendo a mão. Barry anda até ela e ela toca levemente o braço dele e ele se senta ao lado dela – Para alguém que tinha uma vida parada sua vida se tornou bem agitada. – diz ela rindo.
- Pois é. Tudo mudou literalmente do dia para a noite.
- Como você se sentiu?                   
- Acho que como se estivesse em uma tempestade. – diz ele rindo – Eu não sei, não sei como descrever, mas foi... Eu fiquei assustado, mas depois comecei a gostar, só que eu não sabia que tudo isso ia acontecer.
- Vai dar tudo certo no final. Você vai ver.
- Que bom que você está sendo otimista.
- Eu tenho que ser. Com tudo que tem acontecido nos últimos três anos, eu tenho que ter fé de que as coisas vão dar certo. Mas é difícil, muito difícil. Muitas vezes eu fui dormir com medo de não acordar porque o mundo acabou. Mas eu tento afastar esse pensamento e continuo tendo esperança de que as coisas vão dar certo, de que coisas ruins não vão acontecer. Ou de que se vão acontecer, uma bênção pode surgir disso.
- Eu tenho medo disso também. Eu tive vários sonhos com o mundo acabando. É engraçado, sabe, e não do jeito cômico, mas de um jeito patético...
- O que é engraçado?
- Muitas vezes eu vi pessoas desejando o fim do mundo, que acham que se todos os seres humanos no planeta morressem a Terra seria um lugar melhor. Mas eu me pergunto como eles ficariam se isso acontecesse, se eles continuariam tão ansiosos pelo fim do mundo quando estivessem assistindo tudo que eles amam morrer diante dos olhos deles.
- Como você faz para tentar afastar esse medo?
- Eu não faço. Eu só quero acabar com isso.
Os dois jovens ficam em silêncio, com a conversa que acabaram de ter fazendo-os pensar o que acontecerá agora, qual será o futuro deles. Ficando incomodada com o silêncio, Evelyn se levanta e caminha até a cozinha. Ela abre a geladeira e vê se tem alguma coisa ali, mas a geladeira está vazia:
- A gente vai precisar de comida, Barry.

- Eu cuido disso. – diz ele se levantando.
Barry sai da casa e voa até achar o posto de gasolina mais próximo. O local está fechado e completamente, mas há uma loja de conveniências. Ele consegue causar uma interferência nas câmeras, entra no local e pega alguns alimentos. Ele também encontra algumas roupas e as pega também. Ele volta para a casa, carregando três sacolas, duas sacolas na mão esquerda contendo os alimentos que ele pegou da loja de conveniência e na mão direita a sacola com as roupas.
Em Washington, Ruth dá a coletiva de imprensa anunciando que a ameaça de Ernie Graves está encerrada. Ela chama Alan ao palanque e ele é ovacionado e aplaudido. Um dos repórteres pergunta sobre o destino dos seguidores de Graves e Alan responde que alguns deles morreram em batalha, mas os que sobreviveram continuam presos e a busca por super-humanos criminosos irá continuar. Outro jornalista pergunta sobre as ações violentas de Alan ao enfrentar os seguidores de Graves e de ter ferido alguns civis na luta:
- Sim, eu fiz isso e eu me envergonho disso. Eu perdi o controle. Quando jurei proteger o mundo, eu jurei que não seria igual ao inimigo. Eu não sou um assassino como Barry Granger, eu não quero ser. Eu fui fraco, eu cedi ao ódio. Fui contra o que todos nós pregamos, que em face da adversidade não devemos ceder ao ódio. Eu espero que vocês possam me perdoar por isso. E eu espero que agora continuemos a trilhar o caminho para a paz.
Todos ali aplaudem o discurso de Alan. Outro repórter estende a mão para fazer uma pergunta:
- Já que você mencionou sobre o criminoso Barry Granger, o que está sendo feito para capturá-lo?
- Agora que a ameaça de Graves foi detida, vamos nos concentrar em capturar Barry Granger novamente. Eu garanto a vocês, o mundo estará mais seguro do que nunca.
Após a coletiva, Alan e Ruth vão para o Salão Oval. Assim que entram, Ruth fecha a porta e pega uma garrafa de uísque e duas taças. Ela as enche e dá uma delas para Alan:
- Muito bom. Muito bom mesmo, Garrett.

- Viu? Tudo está bem.
- Mas ainda temos um problema.
- Granger não é problema. Você e eu o conhecemos há anos. Vai ser fácil lidar com ele, porque eu sempre estarei à frente dele.
- Ainda não entendo por que não o matou quando teve chance. Depois do julgamento, você poderia ter matado ele.
- Sim, eu poderia.
- Então por que não o fez?
- Eu sempre ouço essa pergunta. Eu deveria tê-lo matado por ele ter tentado me matar, mas não ia ter graça. Eu estou fazendo o seu método, só que de forma diferente.
- Diferente como?
- Você fazer os seus alvos acharem que estão no controle quando na verdade estão se enforcando na sua teia. Agora, o meu método? Eu não quero que o Barry se sinta no controle, eu o quero quebrado, eu o quero sem nada, eu o quero implorando para ser morto. Eu quero que o mundo todo assista Bartholomew Grinstein Granger ser morto por Alan Garrett.
Na casa de inverno dos tios de Evelyn, ela e Barry estão assistindo ao noticiário mostrando o destino de Ernie Graves e o discurso que Alan fez. Vendo Alan ser aplaudido faz Barry sentir raiva, com a vez em que ele tentou se matar e Alan o salvou, dizendo que era divertido vê-lo assim, voltando à sua mente. E sua raiva aumenta mais ao vê-lo continuando a glória enquanto ele foi colocado como um pária.
Mesmo que ele não diga nada, Evelyn consegue perceber que ele está com raiva. Ela suavemente repousa sua mão em cima da mão dele. Ao sentir o toque da mão dela, ele a olha nos olhos e sua raiva começa a diminuir:
- Que tal desligar a televisão? – pergunta ela.
- Claro. – responde ele, dando um leve sorriso – Chega de assistir Fake News.
 Barry desliga a televisão:
- Está com fome? – pergunta ele.
- Um pouco.
- Quer alguma coisa doce?
- Tipo?
- Vou fazer uma surpresa, espere aí. – diz ele sorrindo e se levantando.
Barry vai até a cozinha e pega dois copos. Ele coloca cinco colheres de achocolatado em pó em cada copo e depois coloca cinco colheres de leite em pó em cada copo. Ele mistura e depois coloca água nos copos, misturando novamente em seguida. Após deixar uma colher em cada copo, ele leve os copos e dá o copo que está em sua mão direita para Evelyn:
- Surpresa. – diz ele.
- O que é isso?
- Experimenta.
Evelyn dá uma colherada, sentindo o delicioso gosto do doce:
- Isso está ótimo! – diz ela entusiasmada.
- Eu misture leite pó e achocolatado em pó e os misturei, depois coloquei água. Fica parecendo quase com um mousse. Simples, mas delicioso.
- Vou ter que começar a fazer um desses. E me preocupar em fazer dieta.
- E eu achando que você tinha parado com essa paranoia com o seu peso. – diz ele rindo.
- Eu sou mulher, Barry. – diz ela rindo – Eu com certeza vou querer mais disso, mas se eu engordar a culpa é sua.
- É, você vai virar uma baleia. Talvez você possa fazer cosplay da Moby Dick.
- Vá à merda! – diz ela gargalhando.
Eles continuam gargalhando, até que param, sentindo-se mais relaxados:
- Você sente falta de ser o Voador?
- Como assim, de usar o uniforme?
- Não, de... Sabe, voar por aí, salvar vidas... – ela dá outra colherada no doce – Essas coisas.
- Eu gostava muito de fazer aquilo. Mas depois de tudo que aconteceu, eu não tenho sentido falta.
- Mas você se sentia bem fazendo isso, não se sentia?
- Sim.
- Qual que era o nome daquele garoto, mesmo?
- Qual?
- Eu só sei que o nome dele começa com a letra b.
- Benedict?
- Esse mesmo! Ele realmente te admira. Acho que até fez um site em sua homenagem.
- Sério?
- Sim.
- Uau. – diz ele sorrindo.
- Como foi quando você o conheceu? Ai me desculpe! Tô fazendo pergunta demais, não estou?
- Tudo bem. É bom falar disso com alguém. E respondendo a sua pergunta foi bom, na verdade foi ótimo. Foi a primeira vez que eu senti que eu tinha feito algo certo depois de ter ganhado os poderes. Ele ficou tão feliz comigo ali que me pediu para revelar a minha identidade, e eu acabei fazendo isso. Ele até mesmo tinha dito que quando crescesse queria ser como eu.
- Que fofinho. – diz ela sorrindo – É que eu o mencionei porque eu tinha lido uma entrevista que ele tinha dado sobre você. Foi há uns meses isso.
- Chegaram a te chamar para uma entrevista para perguntar alguma coisa sobre mim?
- Só no período do julgamento, mas depois disso nada. Mas eram perguntas idiotas do tipo “você percebeu que ele era um assassino?”. Eles também me perguntaram sobre a Karen, sobre como eu tinha me sentido com tudo aquilo.
- Você tinha me falado que tinha pesadelos com ela, lá no seu apartamento.
- Sim. Por enquanto não tive mais. Por quê?
- Nada, só perguntando. É que eu também tive muitos, na verdade. Acho que ainda me sinto culpado pelo que aconteceu com ela. Quer dizer, eu sei que não foi culpa minha, mas é como se uma parte minha ainda sentisse que eu tenho um pouco de culpa pelo que aconteceu.
- Você gostava dela?
- Sim. Ela parecia ser uma garota legal, e era alguém que estava passando pelo mesmo que eu estava. Alguém que teve a vida inserida em uma conspiração. Mas ela tinha muitos problemas e isso junto com os poderes dela fez com que ela enlouquecesse.
- Mas você gostava dela?
- Eu acabei de dizer que sim.
- Mas eu estou dizendo gostar mesmo, você era... Apaixonado por ela?
- Bem... Eu cheguei a sentir uma atração por ela, mas isso desapareceu depois de ela ter destruído o New Life.
- Então não rolou nada entre vocês?
- Por que você tá querendo saber tanto isso? – pergunta ele rindo.
- Porque estamos conversando, e eu sou sua melhor amiga então tenho direito de saber.
- Só um beijo.
- Um beijo?! – diz ela em tom sério.
- Sim. Mas foi ela que me beijou, e também foi apenas isso.
- Só isso mesmo?
- Sim. Por que, tá com ciúmes?
- Claro que não! Só perguntei de curiosidade. – ela continua dando colheradas no doce – Então você não a amava?
- Não.
- Ok.
Ela termina de dar comer o doce:
- Quer que eu faça mais? – pergunta Barry.
- Por favor.
Ele volta para a cozinha, faz o doce, e depois volta para a sala, dando o copo para Evelyn:
- Bem, já que você me interrogou...
- Eu não te interroguei.
- Sim, você me interrogou. – diz ele rindo – O que aconteceu com o Dylan? É que eu achei que vocês fossem morar juntos e...
- A gente terminou.
- Por quê?
- É que... – ela fica sem graça e ri.

- Se você não tiver à vontade para contar, tudo bem.
- Não, não é isso. É que é só... É algo que eu não costumo falar muito. Sabe... O nosso relacionamento já não estava tão bem na época do ensino médio, mas eu achava que tudo ia ficar bem. Aí depois do baile começaram se complicar um pouco, eu estava mal e a gente estava brigando com mais frequência. Depois do julgamento as coisas melhoraram e a gente foi morar junto em Los Angeles e comecei a faculdade. O casamento seria depois que eu me formasse, mas aí a gente voltou a brigar com frequência, a gente não se entendia mais, não tinha mais... Sintonia. Até que a gente terminou uns dois anos atrás. E uma semana depois ele já estava com outra.
- Ah. Eu... Sinto muito.
- Tudo bem. É estranho, não é? A gente faz planos, temos sonhos que queremos realizar, mas na realidade outra coisa acontece, coisas completamente opostas acontecem. Meus pais me diziam que se algo que a gente planejou tanto não aconteceu é porque não era para acontecer e assim algo melhor pudesse acontecer.
- Minha mãe me dizia isso também.
- Já que estamos com os nossos copos de... Do que você chama esse doce que você fez?
- Não sei. Doce Caseiro do Barry?
- Pode ser. Então vamos fazer um brinde.
- A que?
- A um futuro melhor.
- Ok.
Eles sorriem e brindam. Mais tarde, Barry está em um dos quartos deitado na cama e olhando para o teto. A conversa que ele teve com Evelyn o faz pensar em seu próprio futuro, se é que ele terá algum após derrotar Ford e Alan. Sua caminhada mental termina quando ele ouve batidas na porta. Evelyn abre a porta:
- Oi. – diz ela.
- Oi. Você tá bem?
- Estou, só estou tendo um pouco de dificuldade para dormir. Posso ficar aqui? É que eu não estou querendo ficar sozinha. – diz ela, sentindo o seu rosto enrubescer.
- Ah... – diz Barry sentindo o seu rosto enrubescer – Claro. A casa tecnicamente é sua. – diz ele rindo.
Ela se deita ao lado dele e de frente para ele. Os dois sentem seus corações acelerar e permanecem vários minutos olhando nos olhos um do outro sem saber o que dizer nem o que fazer, até que Evelyn decide interromper o silêncio:
- Quanto tempo você acha que a gente devia ficar aqui?
- Eu não sei.
- Eu estou gostando de ficar aqui. A gente não tem que se preocupar com o mundo procurando a gente. A gente pode ter um pouco de paz.
- Isso é verdade.
Eles conversam mais um pouco até adormecerem. No dia seguinte Evelyn acorda, mas está sozinha na cama. Ela se senta se perguntando onde Barry está, até que ele entra no quarto carregando uma bandeja com um copo de suco de laranja e um prato com um sanduíche em cima da bandeja:
- Bom dia. – diz ele.
- É pra mim?
- Sim, eu já comi.
- Obrigada. – diz ela enquanto pega a bandeja – É sanduíche do que?
- Queijo, presunto, tomate e maionese. Eu ia colocar mostarda, mas lembrei que você não gosta.
- Você devia ser cozinheiro.
- Não sou tão bom assim. Enquanto eu estava comendo, eu estava dando uma olhada nas músicas que estão gravas na televisão e vi umas músicas legais ali.
- É um monte de música antiga. – diz ela após dar uma mordida no sanduíche.
- Eu achei a do Love Me Tender.
- Não era aquela que tocou no baile?
- Essa mesma. – Barry começa a rir do nada.
- O que foi?
- É que eu me lembrei de que em 2023 eu tinha planejado convidar você para ir ao baile comigo.
- 2023?
- É.
- E por que você nunca me chamou?
- Eu estava esperando o momento certo, mas acabei esperando demais.
O dia se vai e a noite cai. Barry e Evelyn estão preparando o jantar. Após jantarem, Evelyn ligar a televisão e colocar para tocar Love Me Tender. Ela caminha até Barry e estende a mão direita para ele:
- Quer dançar comigo?  – pergunta ela sorrindo
- Será uma honra. – diz ele sorrindo.
Eles dançam abraçados, e a cada ritmo, seus corações batem mais fortes. Depois de alguns minutos envoltos pela melodia da canção do Rei do Rock, começa a tocar Total Eclipse of the Heart. Assim que ela começa eles começam a se olhar, e quando a música começa a tocar o refrão, seus lábios se aproximam e suas respirações aceleram, até que seus lábios se tocam e eles se entregam aos beijos um do outro.
Evelyn cessa o beijo e leva Barry pela mão até o quarto, fazendo-o se sentar na cama enquanto ela começa a se despir. Ela caminha com seu corpo nu até Barry e tira camiseta dele, enquanto seu coração quase rasgando seu peito de tão forte que está batendo. Barry tira o restante de sua roupa e ela o faz deitar na cama, deitando em cima dele em seguida, com os seios dela tocando seu peito:
- Você... – diz ele ofegante – Você...
- Tá tudo bem, Barry.
- Você quer mesmo fazer isso?
- Quero. Eu quero você. Eu te amo Barry Granger.

 Ela o beija suavemente, enquanto ele coloca suas mãos sobre as costas dela. Seus corpos, suas almas se entrelaçam. A música continua tocando, até chegar no clímax junto com eles. “Para sempre começa esta noite”.