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sábado, 26 de agosto de 2017

Perfectus II - Capítulo 8: Conhecendo a Presidente dos Estados Unidos

O jovem fica atônito:
- Você!
Bucky, que estava debaixo da cama de Barry quando Karen começou a fazer o apartamento tremer, vem para a sala e guincha para o Voador Vermelho e Azul. Distraído, olhando para o gato, ele não vê Barry avançando para cima dele, que o ataca com soco de direita. O impacto do soco empurra o Voador Vermelho e Azul para o chão, mas ele consegue se impedir de cair. Barry avança novamente, tentando dar um soco de esquerda e em seguida outro de direita, e o Voador Vermelho e Azul se desvia dos dois. Barry então lança outro soco de esquerda, mas o Voador Vermelho e Azul bloqueia o soco com a mão direita, segurando o punho de Barry, e com a mão esquerda solta uma rajada nos olhos de Barry, queimando-os:
- Seu filho da puta! – grita Barry, caído no chão enquanto urra de dor.
- Relaxa, daqui os seus olhos voltam ao normal. Gostei do gato. – diz ele olhando para o gato, que continua guinchando mais alto.
- Eu vou matar você!
- Eu acreditaria nisso se você soubesse lutar. Talvez, em outra ocasião, você poderia ter feito isso.
- Por que você está se passando por mim e assassinando pessoas? – pergunta Barry enquanto se levanta, com os seus olhos já se regenerando.
- Você já vai saber.
- Por que você está aqui?
- Ford me enviou aqui.
- Para capturar a Karen.
- Sim. Nós dois temos um problema em comum, e é justamente ela.
- E você vai fazer o que? Matar ela?
- Você sabe que ela tem que ser detida.
- Assim como vocês também tem que ser.
- Escute, eu não estou com tempo pra discussão. Pessoalmente, se eu pudesse eu mataria você aqui em agora, mas Ford quer sua ajuda. Minhas ordens são para trazer você. Pode ser na boa ou aos socos, você decide.
Neste momento Barry está muito puto. Ele realmente quer socar o Voador Vermelho e Azul novamente, mas a vontade de querer confrontar Ford cara a cara, fala mais alto. Já vestido com seu uniforme, Voador acompanha o Voador Vermelho e Azul até Washington. Os dois chegam à Casa Branca com o rapaz levando-o até o andar subterrâneo. Voador sente um pouco de medo, pois não sabe o que acontecerá ao ficar cara a cara com a Presidente Ruth Renée Ford, chegando a imaginar se foi essa a sensação que Luke Skywalker sentiu ao ser levado por Darth Vader ao Imperador em O Retorno de Jedi.
Ruth está sentada, bebendo uma taça de uísque. Assim que vê suas duas criações se aproximando, com um sorriso estampado no rosto ela coloca a taça e a garrafa em cima da mesa, se levanta da cadeira e caminha até eles, estendendo a mão para Voador:
- Ora, ora. É um prazer finalmente conhecê-lo Sr. Granger. – diz ela apertando a mão de Voador.
- Obrigado – diz Voador de forma fria, apertando a mão de Ruth.
- Por favor, sente-se. – diz ela arrastando a cadeira para ele se sentar.
Assim que ele se senta na cadeira, ela retorna à sua cadeira e bebe novamente o uísque, fazendo em seguida um sinal com a mão esquerda para o Voador Vermelho e Azul ir embora. Assim que ele deixa a sala, ela volta o olhar para o Voador:
- Você já é um rapaz crescido. Sinto-me como uma mãe vendo o filho. – diz ela rindo.
- Eu já tenho uma mãe, e ela é mulher descente diferente de você.
- Eu sei. Eu sei tudo a seu respeito. Ah, e obrigada por ter dado uns tapinhas em Hong Chan.
- Parece que você quer que eu faça isso de novo.
- Direto ao assunto! Para um garoto que era tão tímido você melhorou muito.
- O que você quer com o Projeto Perfectus?
- Eu acho que você já sabe a resposta.
- Eu quero ouvir de você.
- Está bem. Já faz anos que governantes usam a democracia para inserir uma única visão de mundo, ao estilo que Antonio Gramsci propôs.
- Hegemonia cultural para instaurar o socialismo e por fim o comunismo.
- Muito bom. Enfim, eu apenas estou contribuindo com isso, mas eu quero mais, eu não compartilhar com os meus companheiros, eu quero todo o poder na minha mão. Qual a melhor forma de obter isso senão pelo projeto que visava criar um super-humano? A arma mais poderosa que o mundo já viu em minhas mãos.
- E a Karen?
- Era parte da expansão do Projeto Perfectus.
- Connery usa os próprios paciente para essa expansão?
- Veja como uma forma de dar a eles uma vida melhor. A Karen, por exemplo, foi alguém renegada pela sociedade, forçada a se prostituir ainda adolescente.
- E agora graças a você ela é uma super-humana instável que é um perigo para todos.
- Por isso, eu preciso de sua ajuda. Ela vai fazer isso de novo, e antes que as coisas saiam do meu controle, eu preciso dela morta imediatamente. Veja isto. – diz ela passando uma pasta para o Voador.
- O que é isso?
- Há uns dias o corpo da mãe de Karen foi encontrado na casa dela. Nesta estão as fotos e o laudo acerca da morte da mãe dela. Ela tinha câncer e estava em um estado bastante debilitado, mas a forma como ela morreu foi bastante incomum para quem tem câncer.
O Voador olha as fotos se impressionando com o estado do cadáver da mãe de Karen. Enquanto olha ele se lembra do que ela falou mais cedo sobre ter “consertado” a mãe dela:
- Ela fez isso. – diz ele – Ela fez isso.
- Agora você viu que ela é perigosa. Você tem que matá-la.
- Eu não vou matá-la para você. Eu vou deter a Karen, não irei matá-la, mas irei detê-la, e depois vou deter você.
- Ah, você vai? – pergunta ela rindo – Você não vai me deter, Barry. Você tem muito a perder, e eu quero que você tenha o pouco de vida normal que te resta. Mate Karen, e nós não incomodaremos você nem aqueles que você se importa.
- Eu vou deter você. – ele se levanta – Não hoje, mas conte eu irei.
- Nossa reunião não acabou.
- Eu tenho coisas mais importantes.
- Sente-se, Granger! – diz ela em tom autoritário – Eu vou te dar mais uma chance, e se você desperdiçá-la será o sangue deles em suas mãos. – ela aperta um botão na mesa que mostra um holograma com quatro painéis. Esses painéis possuem gravações em tempo real, sendo um de Timothy, o pai de Barry, outro de Margareth, sua mãe, outro de Raven, sua irmã mais velha, e por fim de Evelyn.
- O que você vai fazer?
- São transmissões que estão sendo fornecidas por meus atiradores de elite. Se eu der o comando, eles vão matar seus pais, sua irmã e sua melhor amiga.
- Você não...
- Eu vou. Você pode ter o poder de um deus, mas você não poderá salvá-los, não todos.
- Deixe-os fora disso! – grita o Voador.
- Não posso. Ah, eu tenho uma ligação para você.
Ruth se levanta e caminha até o Voador, entregando-lhe um celular:
- Alô?
- Barry?!
- Mark?
- Eles entraram na minha casa! – diz Mark desesperado – Eles entraram e estão fazendo eu e a minha noiva de reféns!
- Ford, pelo amor de Deus, pare com isso!
Mark e sua noiva estão amarrados, cada em uma cadeira. Um dos agentes de Ford pega a mão direita de Mark e começa a retirar as unhas da mão, enquanto outro continua segurando o celular para que o Voador ouça os gritos. Ele também consegue ouvir os gritos da noiva de Mark implorando que parem com a tortura:
- Ford, para com isso! Ordene aos seus homens que pare com isso!
- Espere mais um pouco.
Depois de retirar as unhas da mão direita, o agente faz o mesmo com as unhas da mão esquerda:
- Sua filha da puta, mande-os parar! – grita o Voador, avançando para cima de Ford e agarrando-a pela garganta.
- Você achou que não descobrimos que você esteve passando informações vitais para o Watson? – pergunta ela falando com dificuldade – É por isso que você não vai me deter. Eu sei tudo sobre você e sei tudo sobre aqueles com quem você se importa. Tente passar por cima de mim e você irá carregar os cadáveres deles.
O Voador sente um turbilhão de emoções. Se sente desesperado por ver que não é capaz de proteger aqueles a quem mais preza. Se sente com raiva por tudo o que Ford está fazendo. Se sente angustiado por perceber que está impotente que a única coisa a fazer é se render. E por fim, se sente com ódio de si mesmo por se submeter a matar Karen para Ford:
- Eu faço! – diz ele, soltando-a.
- Como?
- Eu faço o que você quer! Agora os mande pararem com isso.
- Muito bom! – diz Ruth sorridente – Agora me passe o celular.
Ruth pega o celular e ordena aos agentes que encerrem as atividades. Após encerrar a ligação, ela aperta outro botão na mesa e ordena para que os atiradores de elite se retirem:
- Viu? Era apenas isso que precisava fazer. Agora vamos fazer um acordo, porque afinal nós dois temos que sair ganhando. Você e o Voador Vermelho e Azul vão matar Karen para mim. Depois que ela estiver morta, você vai deixar de ser o Voador para sempre, mas pode manter o uniforme se quiser. Enfim, faça essas duas coisas e eu dou um jeito de declarar que o Voador foi preso, ou melhor, morto. Com Karen e o Voador mortos, você Barry, pode voltar à sua vida.
- Só isso?
- Sim. É tudo o que eu humildemente peço. E já que você enforcou a Presidente dos Estados Unidos da América, ajoelhe-se para que eu te perdoe.
O Voador apenas a encara:
- Ajoelhe-se! – grita ela.
Ele se ajoelha e ela se aproxima dele, retirando a máscara com a mão direita. Ela acaricia o rosto de Barry e com sua mão o faz levantar a cabeça para olhá-lo nos olhos, que estão fervilhando de raiva:
- Bom cachorro. E agora, você se dobra à minha vontade.
Enquanto isso, em Nova York, Karen voa até o New Life, indo para o andar onde está localizado o escritório de Nicholas Connery. Estilhaçando as janelas com o seu pensamento, ela entra lá e caminha pelo escritório arremessando os objetos contra a parede, apenas por puro prazer. Nicholas entra na sala e encontra os objetos espalhados e levitando. Karen se vira e o vê, e antes que ele tenha alguma reação, ele é jogado contra o teto e depois contra o chão:
- Acalme-se! Vamos conversar. Não é necessário nenhum confronto.
- Eu posso ver... – diz Karen enquanto lê a mente de Nicholas.
- Ver o que?
- Foi você! – grita ela, quebrando os ossos do joelho de Nicholas.
- Para! – grita ele, suando de dor.
- Eu posso ver, foi você!
Ela vê o que aconteceu na noite que foi atropelada, através dos olhos de Nicholas. Ele teve um encontro mais cedo com uma garota 20 anos mais nova que ele. Eles comeram, e se embebedaram, e mesmo afetado pelo álcool, Nicholas dirigiu o carro. Ele havia atravessado o sinal vermelho e a havia atropelado. Após sair do carro ele ligou para uma ambulância para levar a garota para o New Life.
Após garantir que ninguém soubesse do seu delito e após garantir que a garota recebesse os cuidados médicos por estar em estado grave, Nicholas pesquisou sobre Karen, descobrindo o histórico dela. Ele então entrou em contato com Ford para mandar Karen para a Área 69, já que ela era “dispensável”.
“Dispensável”. Karen fervilha de raiva, que se reflete no ambiente com o chão rachando e as paredes rachando enquanto lágrimas de ódio escorrem pelo seu rosto:
- Você me usou como lixo.
- Mas olhe só para você agora! Você estava em estado grave, mas salvamos a sua vida tornando você parte do experimento. Todos aqueles que pegamos para o projeto eram pessoas irrelevantes na sociedade. Inserindo elas no projeto elas tiveram a chance de poderem ser algo significativo. Nós sabemos sobre sua vida, Karen. Nós sabemos o que ocorreu com você. Você era só uma prostituta a serviço de um homem medíocre, mas agora olhe para si mesma. Você pode ser muito mais, pode fazer muito mais. Você está melhor, agora. E qualquer um internado neste hospital daria a vida para ter o que nós te demos!
As palavras de Nicholas faz Karen se lembrar do Barry lhe disse, de usar os poderes dela para o bem, e a faz se lembrar do que ela sentiu quando matou Big Gus e causou a morte dos demais ali na boate. Estes poderes fizeram sentir algo que ela nunca sentiu: força. Ela olha um dos cacos de vidro espalhados no chão, cacos de espelho, e vê seu rosto refletido nele. Aquele rosto, não é mais a Karen de antes, é uma nova Karen, uma que irá punir e consertar aqueles que machucam pessoas e aqueles que foram machucados.
Ela olha para Nicholas, fecha os olhos e ouve a mente de todos ali no New Life, de todos os pacientes:
- Eu posso ouvir eles.
- Eles quem? – pergunta Nicholas.
- Os pacientes. – responde Karen – Eu posso consertar eles. Eu posso consertar você também.
- Do que você está falando?
- Você sente um pouco de remorso pelas vidas que matou, mas só um pouco.
- O que eu fiz foi pelo bem da ciência. De fato, não me orgulho de ter matado tantas pessoas, mas me orgulho do que consegui alcançar. Nós estamos entrando em uma nova era. Deuses de verdade estão caminhando entre nós, e você é uma deles.
- Tem razão. – diz Karen, enquanto faz a estrutura do hospital tremer – Tem toda razão, Sr. Connery.
- Karen o que está fazendo?
- Você é um ser inferior, que reina sobre seres condenados, e eu tenho que consertar vocês, como eu fiz com a minha mãe. Como é ter a sensação de que o seu reino, de que o seu mundo irá desmoronar?
- Karen, você não pode! – diz Nicholas desesperado – Tem vidas inocentes aqui!
- Eles estão condenados. Como você disse, sou uma deusa, e deuses têm direito de decidir quem deve morrer e quem deve viver. Eu estou salvando elas, eu estou consertando elas, e eu vou consertar você também. – diz ela sorrindo, mas o sorriso de alguém que realmente acredita estar fazendo o certo.
- Pelo amor de Deus, não destrua o meu legado!
O chão e as paredes do escritório começam a rachar. Em todo o hospital rachaduras começam a surgir até que o lugar começa a desabar ao poucos. As pessoas ali dentro começam a se desesperar. Algumas conseguem escapar, enquanto outras são esmagadas pelos escombros. No escritório de Nicholas, um buraco se abre entre ele e Karen. Ele grita para ela, implorando para que ela pare, mas ela não ouve, não quer ouvir, não se importa, ela só quer apenas “consertá-lo”. Nicholas tenta se levantar, mas cai. Assim que suas costas toca o chão, o piso se desfaz e ele cai em meio a escombros, médicos e pacientes. Sua vida começa a passar diante de seus olhos enquanto, este hospital, que representa para ele todo o seu legado é desfeito.
A multidão do lado de fora assiste aos prantos a queda do New Life. Depois que o prédio inteiro desaba, eles olham para o céu veem Karen flutuando. A jovem encara a multidão e sente o medo e o ódio neles, e parte de lá voando.

De volta ao andar subterrâneo da Casa Branca, a informação a respeito do desabamento do New Life chega aos ouvidos de Ruth bem como dos do Voador. O rapaz cerra os punhos quando ouve que Karen fez isso. Agora não havia mais dúvidas para ele. Karen é exatamente o oposto daquela jovem frágil e assustada que ele tinha pensado que tinha conhecido, e precisa ser detida.

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