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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Perfectus III - Capítulo 17: Todo fim é um novo começo

2035


Seis anos se passaram desde a Grande Luta, como ficou conhecido o embate entre Barry Granger e Alan Garrett. A enorme tensão política que se instalou no mundo se resolveu em 2033. Não foram encontradas provas suficientes para incriminar Ruth Renée Ford pelos crimes de assassinato, tortura e traição, sendo assim o Hong Chan continua sendo considerado o grande responsável pelo Projeto Perfectus. As revelações que Alan Garrett fez acerca de tudo que aconteceu foram consideradas provas de sua insanidade mental. Os Revolucionários continuam sendo um problema, mas as autoridades tem conseguido lidar melhor com eles nos últimos anos. A Crise Super-Humana se encerrou em 2032 após a ONU financiar o DAEE em segredo para construir um grupo de extermínio de super-humanos. Aparentemente todos eles estão mortos. Os registros do Projeto Perfectus foram destruídos.
Apesar da gravação que Mark Steven Watson colocou em seu canal no Youtube, e que se tornou o vídeo mais assistido da história até o Youtube excluir o vídeo, Barry Granger ainda continua a ser considerado um criminoso. A gravidez de Evelyn se tornou uma fonte de matérias jornalísticas estúpidas. Mesmo que ela tenha tentado esconder, ficou óbvio que a criança que ela deu à luz em setembro de 2029 era filho de Barry Granger. O DAEE, a pedido de Gregory Jones, não tomou nenhuma ação, embora eles estejam vigiando o pequenino.
Evelyn conseguiu concluir a faculdade e abriu um consultório em um local no qual divide o aluguel com alguns de seus amigos de faculdade, que abriam consultórios ali também. Ela termina de atender seu cliente em seu escritório quando o telefone toca. É a diretora da escola na qual seu filho estuda, requisitando a presença dela urgentemente. Evelyn desmarca as consulta seguintes, pega a sua bolsa, entra no carro e se dirige rapidamente até a escola. Seu filho, Brandon Tyler, teve uma briga com um aluno. Brandon tem o mesmo formato do rosto e as sardas de sua mãe, mas os olhos, a boca e os cabelos de seu pai. Ele nunca desenvolveu super poderes, mas nem por isso as pessoas o deixam de ver como um monstro. Na escola essa não foi a primeira ocorrência de briga, que comumente é causada pelos alunos caçoarem dele.
Evelyn chega até a sala da diretora, onde Brandon está sentado, com os olhos cheios de lágrimas:
- Desculpe mamãe.
- Filho, o que você fez?
- Pode nos dar licença, Brandon? – pergunta a diretora.
- Sim.
- Me espere lá fora, ok? – diz Evelyn.
- Sim.
Brandon sai da sala da diretora e fica sentado no lado de fora. Dentro da sala, Evelyn se senta de frente para a diretora, uma mulher sem beleza nenhuma e com o carisma de uma pedra:
- Srta. Tyler, o seu filho arranjou problema novamente.
- O que Brandon fez?
- Ele teve uma briga série com um aluno.
- Mas por quê?
- Novamente porque um dos alunos teria feito uma brincadeira de mal gosto com ele. Seu filho se irritou e partiu para a briga.
- Eu prometo que isso não vai acontecer de novo.
- Eu espero mesmo que não. Não queremos um incidente.
- Como assim?
- Seu filho tem cinco anos. É comum nessa idade as crianças ficarem doentes frequentemente, mas o seu filho não. Inclusive na briga com o aluno, o aluno que saiu machucado, mas ele não apresentou ferimento algum.
- Meu filho teve catapora, se é o que quer saber.
- O ponto no qual eu quero chegar é que não quero meus alunos em risco.
- Está realmente sugerindo que meu filho é uma ameaça para os seus alunos? – pergunta Evelyn furiosa.
- Levando em conta quem era o pai dele, sim.
- Chega! – grita ela – Essa é uma escola de renome e eu pago vocês para dar ensino de qualidade ao meu filho. Ele faz bagunça? Não presta atenção na aula?
- Ele é um ótimo aluno. As notas dele estão entre as melhores.
- Então isso basta.
- Eu sou responsável por 200 crianças. Como os pais delas reagiriam se soubessem que elas se machucaram por causa do filho de Barry Granger? Alguns pais retiraram os seus filhos depois que eu aceitei de bom grado que você o matriculasse em nossa escola.
- Brandon é o filho de Barry, mas ele não tem poderes.
- Ainda não. Mas o que acontecerá se ele tiver?
- Isso não lhe diz respeito. Seu dever é garantir a educação deles e não ficar se intrometendo na vida deles.
- Está bem Srta. Tyler, como queira. Mas na próxima vez que o seu filho se envolver em alguma briga, irei considerar a expulsão dele.
- Não precisa considerar. Talvez eu mesma o tire daqui.
Evy sai furiosa e bate a porta. Ela carrega Brandon pela mão e logo em seguido o coloca dentro carro:
- Desculpa mamãe.
- Brandon, eu já disse que você não pode ficar se metendo em brigas. É perigoso.
- Mas eles estavam me chamando de aberração.
- Não dê ouvidos a ele. Você não é uma aberração, você é uma bênção. – ela beija a testa dele – Agora que tal se nós formos visitar a vovó?
- Sim. – diz ele sorrindo.
Eles vão para o apartamento de Margareth. Assim que entram, ela abraça Brandon e depois abraça Evelyn:
- Entrem. – diz ela.
As duas se sentam à mesa, enquanto Brandon assiste desenho na televisão:
- Então Evelyn, como tem passado?
- Bem na medida do possível. – diz ela rindo.
- E ele?
- Ele teve uma briga na escola.
- Briga na escola? Não nega que é filho do Barry. – diz ela rindo.
- Pois é. A diretora me chamou e tivemos uma séria discussão.
- O que houve?
- Ela acha que o Brandon é uma ameaça para os colegas de escola. Ele só tem cinco anos!
- Mas ele apresentou, eu não sei, algum indício de que tenha poderes?
- Não. Ele é um garoto comum, mas tem o sistema imunológico superior à de qualquer criança, talvez superior ao de um adulto. Eu só queria que parassem de vê-lo como algo demoníaco. O jeito como as pessoas olham para ele na rua... Alguns desses progressistas que ficam se gabando de serem abertos à tudo olham para ele como se ele fosse um pequeno Hitler. Eu queria que o mundo fosse um lugar mais seguro para ele, mas tenho medo de que as pessoas só irão odiá-lo cada vez mais.
- Mas nós estaremos aqui para ajudá-lo. Sabe, Barry estaria orgulhoso da forma como está cuidando de Brandon.
- Ele é meu filho, meu diamante precioso. – diz ela sorrindo.
- Sim. – ela pega uma foto de Barry quando criança e coloca os dedos sobre a foto – Seis anos.
- Eu penso nele todos os dias.
- Eu também.
- Queria que ele estivesse aqui para poder me ajudar, poder ver o Brandon crescer.
- Eu também queria. Mas o que importa é que você está cuidando do meu neto e ensinando-o a ser uma boa pessoa. Talvez um dia o mundo os enxergue da forma como os enxergamos.
Mais tarde, eles retornam ao apartamento onde moram. Eles jantam, e depois disso Evelyn coloca Brandon para dormir. Enquanto coloca o cobertor em cima dele, ela percebe o semblante triste do garoto:
- O que foi?
- Tem alguma coisa de errado comigo, mamãe?
- Não, filho. Por que teria?
- As crianças me chamam de aberração. Dizem que eu sou filho de um monstro e que vou matar todo mundo. Eu sou um monstro?
- Não filho. Essas crianças não sabem o que estão falando. Seu pai era um homem bom, amável e gentil, características que você tem. Você não é nenhum monstro, você é alguém especial, alguém único, alguém com uma luz própria, e um dia você mostrará essa luz para o mundo.
- Essa luz? – ele ergue a mão esquerda e ela fica envolta por raios elétricos.
- Ah, meu Deus! Como você conseguiu fazer isso?
- Eu fiz hoje no recreio.
- Consegue desligar?
- Sim.
A mão dele volta ao normal:
- Foi por isso que você brigou?
- Sim. Eu fiz no recreio e eles me chamaram de monstro. Só eu consigo fazer isso?
- Sim.
- Por quê?
- Por causa do seu pai. Ele podia fazer isso e muito mais.
- É por isso que chamam ele de monstro?
- Sim. Mas ele não era, e você não é. Quero que você saiba disso.
- Tá bem.
- E tente fazer esse truque da luz só quando estiver dentro de casa, está bem?
- Sim.
Evelyn o acaricia e o abraça forte. Ela gostaria que Barry estivesse aqui, e ela acredita que talvez ele os esteja observando do céu. Ela não sabe o que o futuro reserva, seja um dia mais claro ou uma noite mais densa, mas fará o que puder para proteger seu filho:
- Vai ficar tudo bem, Brandon. Vai ficar tudo bem.

FIM... E UM NOVO COMEÇO IRÁ SURGIR

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