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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 2: Filho do Anjo Caído

2028

Kyle cresceu como um dos criados do castelo, sendo cuidado por Aidan. Ele se tornou um rapaz forte, relativamente atraente e um pouco recluso. Ele está consertando a limusine dirigida por Aidan, até que começa a ser perturbado por Celiny. A garotinha de olhos esmeraldas tornou-se uma bela mulher, vibrante com um raio de sol que ilumina um jardim florido:
- Eu não sei o que os homens veem de tão interessante nos carros.
- Eu não sou fanático por carros, apenas estou consertando um. E eu não sei o que vocês mulheres acham tão interessantes nas bolsas e sapatos.
- São assessórios para uma mulher, principalmente uma princesa. Então, vai demorar muito?
- Depende. Se você me deixar trabalhar, eu vou conseguir acabar bem rápido.
- Você é meio chato, sabia?
- E você fala demais. – diz ele rindo.
- Olha só, finalmente temos um sorriso do Sir Kyle. Acho que vou pedir para que o dia de hoje se torne uma data comemorativa. O dia do Sorriso de Kyle.
- Muito obrigado, princesa. Bem, terminei. – ele se levanta e a olha nos olhos, não conseguindo esconder o encanto de olhar para aquele belo rosto sorridente com olhos de esmeralda – Agora o veículo real está pronto para levá-la para qualquer lugar que você queira.
- Ótimo, mas para onde eu quero ir, não vamos precisar do carro. Só dos seus dedos, limpos de preferência.
- Eu preciso é de um banho.
- Você não está tão sujo assim.
- Não estou completamente sujo de graça, mas estou suado e não tomei banho ainda, então se me der licença.
- Permissão concedida.
Kyle toma um longo banho. Assim que sai do chuveiro enrolado na toalha, ele vê Celiny sentada na cama dele:
- O que você tá fazendo aqui? – pergunta ele, sentindo-se sem graça.
- Esperando você. – diz ela sorrindo.
- Se alguém ver você aqui vai pensar que estamos fazendo algo indevido. Vai para fora enquanto eu me arrumo, por favor.
- Vai demorar muito?
- Você tem 25, mas se comporta como se tivesse 15.
- E você tem 25, mas se comporta como se tivesse 45.
- Eu posso, por favor, terminar de me arrumar?
- Tudo bem. – diz ela se levantando – Estou esperando você na sala.
Após finalmente se arrumar, Kyle caminha até a sala, onde Celiny está. Ela está sentada ao piano, tocando uma melodia alegre. Ela pede para Kyle se sentar ao lado dela e eles começam a tocar juntos:
- Então é para isso que você me queria aqui.
- Não gosto de tocar sozinha. E você toca muito bem.
- Porque você me ensinou bem.
Eles continuam tocando. A sincronia é perfeita, quase como se eles estivessem fazendo isso por décadas. Enquanto toca Kyle percebe que Celiny está com o olhar distante, pensativa:
- O que houve? – pergunta ele, sabendo que algo a preocupa.
- Vamos ter um jantar com a família real da Irlanda.
- E você não está nem um pouco animada com isso.
- Você estaria feliz de ter que se casar com alguém que você mal conhece?
- Não, não estaria.
- Eu queria poder fugir. Pegar um navio e ir para bem longe, abandonar tudo. E acho que você devia fazer o mesmo.
- Eu, por quê?
- Por mais que tenhamos sido acolhedores com você, você não quer algo mais do que ser apenas um criado da Grande Família Real?
- Na verdade nunca parei para pensar nisso.
- Você passa a maior parte do tempo no castelo. Tem um mundo muito maior ali fora.
- Eu nunca me interessei pelo mundo. Sinto-me melhor aqui. É seguro, é algo que eu conheço. Não gosto de lidar com o desconhecido.
- Mas é assim que surgem as aventuras. Falando em aventuras vem comigo até a biblioteca.
Ela sai correndo até a biblioteca e Kyle a acompanha. Entre os hobbies favoritos de Celiny, está o de ler livros. Sempre que lê algo interessante, ela compartilha a novidade com Kyle. A novidade da vez é um livro sobre magia e bruxaria, que está do lado do livro que fala sobre a Cidade Draconiana, falando sobre os temidos Filhos do Anjo Caído. Ela pega o livro e abre na página que contém uma ilustração deles:
- Veja. – diz ela apontando para uma figura demoníaca.
- O que é isso?
- Filho do Anjo Caído.
- Anjo Caído? Satanás?
- Isso. Eles viviam entre nós, mas foram extintos há muito tempo na guerra contra as Foices Vermelhas. Eles eram descendentes de Agatha, a Primeira Bruxa, filha do próprio Lúcifer. Eles podiam manipular a realidade, controlas os elementos, voar, e alguns dizem que eles podiam viver vários anos, talvez até para sempre.
- Meio assustador.
- Sim, porém fascinante.
- Se você não fosse uma princesa, poderia trabalhar com livros.
- Talvez eu faça isso. Eu só preciso vender as minhas joias para conseguir dinheiro e faço uma nova identidade. E aí, vida nova para mim.
- Um plano interessante.
- Você podia se juntar a mim. Seria bom ter um parceiro de viagem.
- Seria interessante. – diz ele rindo.
- Estou falando sério. – diz ela olhando para ele – Eu quero uma vida nova para mim e quero você sendo parte dela.
Eles se fitam olhares um para o outro. Celiny aproxima seu rosto ao rosto de Kyle, até que é chamada por Aidan:
- A limusine está pronta, Princesa Celiny. – diz Aidan.
- Está bem. Até logo Kyle.
- Até.
Aidan caminha até Kyle com um olhar de desaprovação:
- O que foi? – pergunta Kyle.
- O que pensa que está fazendo?
- Eu não estava fazendo nada.
- Vocês quase se beijaram. Escute, eu sei que vocês sempre foram bem próximos, mas você não pode tentar ser algo mais.
- Só estávamos tocando piano, Aidan. – ele se levanta – E eu sei qual é o meu lugar. O que achou do conserto que fiz na limusine?
- Ótimo trabalho, garoto. Escute, você pode ir à mercearia comprar umas coisas?
- Claro, o que você precisa.
- Fale com o Owen, ele lhe dará uma lista do que você deve comprar.
- Está bem.
Aidan logo em seguida se dirige para a limusine, onde Celiny e sua mãe estão aguardando:
- Bom dia Aidan.
- Bom dia Grande Rainha. Por favor, entrem na limusine.
As duas entram e Aidan dá a partida, seguindo caminho para o Festival Anual de Moda Inglês. Celiny observa a rua, desejando estar em outro lugar:
- Está tudo bem, filha? – pergunta a Grande Rainha, notando o semblante triste e indagador de Celiny.
- Está.
- Você está assim a semana inteira.
- Assim como?
- Esse olhar. Isso tem a ver com o jantar com a família real da Irlanda?
- Talvez.
- Isso é uma tradição e todas as outras rainhas já passaram por isso.
- Então talvez seja para uma mudança. Estamos em 2028, não em 1728.
- Escute, eu sei como você está se sentindo. Mas o casamento entre famílias reais é uma forma de manter a paz e harmonia entre elas. Quando eu me casei com o seu pai eu estava assustada porque eu mal o conhecia, mas ele se tornou o amor da minha vida. E eu soube que Christian é um ótimo rapaz. Dê tempo ao tempo.
- Mãe, se você está querendo me convencer que não ter controle sobre minha vida é algo, você está falhando em conseguir fazer isso.
Kyle vai com outro carro para uma mercearia localizada há meia hora de onde o castelo fica. A mercearia pertence a um homem chamado Owen, o qual tem seus produtos comprados para o castelo há 30 anos. Ao sair do carro, Kyle sente que alguém o está vigiando. Ele olha para os lados, mas não vê ninguém e pensa estar apenas imaginando coisas.
Kyle entra na loja e vai para o balcão, onde Owen está, acenando sorridente para ele enquanto segura o seu cachimbo:
- Oh, olá Kyle. Como vai?
- Muito bem, e o senhor?
- É, estou bem, mas fui fazer um exame médico e ele quer que eu pare de usar o cachimbo.
- E o senhor não vai seguira as recomendações dele?
- Eu uso cachimbo há anos, por que vou mudar agora?
- Por motivos de saúde?
- Hum... Não. Mas então, o que vai querer?
- Eu tenho uma lista.
Depois de fazer as compras, Kyle decide ir para um lugar para o qual costuma ir uma vez por mês. Ele estaciona o carro perto da floresta e caminha para o local onde ficava sua antiga casa. Ela ainda está ali, caindo aos pedaços, os corpos de sua mãe e seu pai não estão mais lá. Foram recolhidos depois que Kyle fora levado para o castelo. Ele olha para o local em viu sua mãe ser morta, e é como se tudo tivesse acontecido ontem. Ele então caminha para o local onde seu pai morreu, chegando a sentir calafrios.
Várias vezes ele pensou em parar de ir lá, mas ainda assim continua. Talvez porque ainda não entendeu por que seu pai mataria sua mãe, ou porque ele se pergunta se poderia ter feito algo na época:
- Kyle! – grita uma voz.
Ele se vira e vê uma criatura podre e cadavérica que uma vez já foi humana, possuindo um buraco no tórax:
- Kyle!
E é então que ele percebe:
- Pai?
- Você me matou!
- Você... Você morreu!
- E agora você vai morrer comigo!
Kyle tropeça e cai. Vendo seu pai avançando para cima dele, ele ergue o braço esquerdo em uma tentativa desesperada de se defender e vê uma raiz saindo do solo e atravessar a cabeça de seu pai. Ele fica chocado, e fica mais ainda ao ver que o corpo de seu pai se desfaz em barro. Ele se levanta até o barro, cutucando com o seu pé esquerdo, mas é somente barro. Ele então olha para a raiz e tenta movê-la novamente, fazendo com que ela se mova um milímetro à direita:
- O que é isso?
Ele olha para a raiz e depois para o barro e sai correndo. O homem que o salvou vinte anos atrás o observa de longe:
- Muito bom, Kyle. Muito bom.
De volta ao castelo, Kyle traz as compras para Owen. O Grande Rei passa pela cozinha e os cumprimenta. Apesar de nunca ter sido muito próximo do Grande Rei e da Grande Rainha, Kyle tem um enorme respeito por eles, pois eles nunca o trataram de forma desrespeitosa, na verdade eles não tratam nenhum de seus criados de forma desrespeitosa.
À noite, Kyle está em seu quarto observando o céu noturno, buscando quietude já que sua mente está agitada por estar repetindo o que ouve na floresta mais cedo. Ele tenta acreditar de que apenas teve um devaneio, mas o que ocorreu lá foi bem real. E isso o faz voltar para o trágico momento em que ele viu sua mãe ser assassinada por seu pai, e então o seu pai caiu morto diante dele com uma pedra afundada no peito. Ele se pergunta se, levando que ele tenha movido aquela raiz para se defender, ele teria feito o mesmo coma a pedra naquele dia.
Alguém bate na porta. É Aidan:
- Kyle, está tudo bem? – pergunta ele entrando no quarto.
- Ah, está sim.
- Quer beber um pouco de cerveja?

- Aceito.
Os dois vão para o quarto de Aidan, onde ele coloca duas garrafas de cerveja em cima da escrivaninha. Eles pegam as garrafas e realizam um brinde:
- A que estamos brindando? – pergunta Kyle.
- Eu não sei. Apenas gosto de brindar. – diz Aidan rindo.
- Como foi hoje mais cedo?
- Bem. Claro que foi um pouco ruim ter que aguentar as reclamações da Princesa, mas por um lado já estou acostumado.
- Ela está chateada com essa história do casamento.
- Você gosta dessa garota, não é?
- Sim, nós somos amigos desde sempre.
- Não foi nesse sentido que eu quis dizer.
- Algo entre nós nunca poderia haver.
- De fato, nunca poderia. Mas isso não impediu você de quase beijá-la.
- Nós não estávamos...
- Ah para com isso, Kyle! Eu vi, eu estava lá vendo vocês dois.
- E o que você quer que eu responda?
- Eu apenas acho que talvez seria melhor se você fosse embora.
- Como assim?
- Você quer ficar aqui sua vida inteira?
- A Celiny pergunta a mesma coisa para mim.
- Ela não está errada.
- Eu estou bem aqui.
- E você estará quando você ver a Grande Princesa com o futuro Grande Príncipe?
- Eu não posso interferir na vida dela. E somos apenas grandes amigos.
- Heh, amigos. – Aidan ri – Escute, mudando de assunto...
- Ainda bem.
- Como eu dizia, eu notei que há um pouco de terra molhada em seus sapatos.
- Um pouco de...? Você virou o Sherlock Holmes? – pergunta Kyle rindo.
- Meu pai gostava dos livros do Arthur Conan Doyle, mas adorava os livros do Ian Fleming. Mas então, você estava na floresta de novo?
- Sim, eu estava, eu...
- Por que você continua indo lá?
- Eu só queria entender.
- Como aconteceu?
- Eu te contei milhares de vezes. Ele simplesmente surtou e a matou, e aí, sei lá ele se matou em seguida acho ou... – a lembrança de seu pai morto volta por um momento – Alguma outra coisa o matou.
- E ele nunca foi daquele jeito?
- Eu não me lembro muito dele. Na verdade, acho que a única lembrança que tenho dele foi daquela noite. Mas da minha mãe eu me lembro.
- Ela ficaria orgulhosa do rapaz que você se tornou.
- Obrigado. E isso foi, graças a você.
- Bem, não fiz nada mais que minha obrigação.
- Não, você escolheu. Você que me criou, você que é o meu pai.
Aidan se sente comovido com as palavras de Kyle e se segura para não chorar:

- Obrigado, garoto.
Dia seguinte. Aidan leva Celiny para o Orfanato Caine, onde ela auxilia as crianças a ler e a escrever. Essa é uma parte da vida que ela gosta. Provavelmente a única parte que ela ter algum controle, pois ela está fazendo porque gosta. Quanto ao resto, a vida de princesa não é tão reluzente. Para ela, é sufocante.
Quatro horas depois ela sai do orfanato e entra na limusine. Aidan para, aguardando outro carro atravessar. De repente, os vidros da parte de trás do veículo são quebrados e mãos puxam Celiny para fora do veículo. Aidan escuta os gritos e sai para ajudá-la, mas é brutalmente atacado pelos autores deste ataque: as Foices Vermelhas. Eles estão vestidos em mantas vermelhas e carregando foices pintadas de sangue. Um deles ataca Aidan, cravando a foice na perna direita dele e em seguida no pescoço. Ele sufoca no próprio sangue.
Um deles a agarra pelos cabelos enquanto outro se aproxima com a mesma foice que usou para matar Aidan:
- Morte aos opressores! – grita ele.
Antes que ele possa dar o golpe final, um policial atira em sua mão, e outros disparam tiros contra o grupo. Alguns fogem, enquanto os poucos que restaram foram baleados. O ataque vira manchete internacional e uma legião de fotógrafos e jornalistas fica parada em frente ao hospital onde Celiny está.
O Grande Rei e Rainha entram pelos fundos, com Kyle os acompanhando. Quando chegam à sala onde ela está, o Grande Rei pede para Kyle esperar do lado de fora:
- Como ela está? – pergunta ele para o médico depois que os pais dela entram no quarto.
- Apesar do que houve, ela está bem.
- E o Aidan?
- Quem?
- O chofer. Onde ele está?
- Infelizmente, ele...
- Eu sei, mas quero ver o corpo. Ele ere meu amigo.
O médico o leva até o corpo. O véu é levantado e ele vê Aidan, agora sem vida e com o mesmo olhar pacífico que seu pai tinha quando ele acidentalmente o matou. A dor de ter perdido o homem que foi como um pai para ele é substituída por raiva. A mesma raiva que tem sentido ao longo dos anos por não ter sido capaz de ter salvado sua própria mãe.
Celiny chega até a sala e vê Kyle olhando para o corpo de Aidan. Ela corre e o abraça, sabendo que ele está devastado, querendo arrancar o sofrimento dele, mas a sua raiva já foi abastecida pelo sofrimento.
Algumas horas depois, eles retornam para o castelo. Kyle está sozinho na garagem e Celiny vem falar com ele:
- Você está bem? - pergunta ela.
- Você quase foi morta e pergunta se eu estou bem?
- Você está mais quieto do que o normal.
- Não se preocupe comigo, estou bem.
- Não, não está. – ela se aproxima e põe a mão esquerda sobre o ombro direito dele – Eu sei que o Aidan era como um pai para você.
- Sim, e como meus pais ele morreu.
No dia seguinte, um funeral é realizado para Aidan. Celiny fica sentada ao lado de Kyle durante a cerimônia. À meia noite Kyle sai do castelo e vai para o centro de Londres, chegando até lá por trem. As ruas estão cintilantes, refletindo totalmente o oposto do evento sombrio que ocorreu.
Ele chega ao destino, um açougue. Ele toca a campainha diversas vezes até ver as luzes se acendendo e ver alguém descer. É Ben, um amigo de Kyle dos tempos de adolescência. Ele costuma entregar carne para o castelo e os dois viraram amigos depois que Kyle o ajudou com um problema pelo qual Ben estava passando:
- Kyle, que você tá fazendo aqui? – pergunta ele enquanto acende um cigarro.
- Como vai você? – pergunta ele rindo.
- Feliz em ver você, e com sono. Entre.
- Obrigado.
- Agradeça de novo, porque eu deveria era te socar por ter me acordado.
- Obrigado, de novo.
- Assim está bom.
Ele leva Kyle até a sala e oferece cerveja pra ele. Kyle gentilmente recusa:
- Por que está aqui? Somos amigos, mas você não viria aqui na calada da noite se não fosse por nada.
- Lembra-se de quando éramos mais jovens e eu ajudei você?
- Claro que lembro. É por causa disso que somos amigos.
- Você disse que ficaria devendo para mim. Estou aqui para cobrar o favor.
- Está bem. O que você quer?
- Eu sei que você tem contatos com pessoas não muito nobres.
- Sim.
- Algum desses contatos sabe sobre as Foices Vermelhas?
- Espere um pouco. – ele coloca o copo de cerveja em cima da mesa e olha de braços cruzados para Kyle – O que você está realmente querendo?
- Quero matar as Foices Vermelhas.
- Kyle, de nós dois era para eu ser o maluco.
- Eles machucaram Celiny e mataram Aidan.
- Eu ouvi no rádio. Sinto muito, aliás.
- Preciso que me ajude.
- Você está com raiva, mas cuidado para a raiva não cegar você.
- Eles têm que pagar.
- Você vai morrer.
- Eu posso me cuidar sozinho.
- Escute Kyle...
- Eu sobrevivi ao meu próprio pai! – grita ele em um surto de raiva – Posso sobreviver a eles também.
- O que você tá me pedindo é estupidez.
- Então apenas faça esse favor para mim e deixe que eu cuide do resto.
- Jesus Cristo. Eu vou enviar o meu próprio amigo para o purgatório.
- Se sentiria melhor se eu te desse um abraço e te dissesse o quanto estou agradecido por fazer isso?
- Eu me sentiria melhor se você não fizesse isso.
- Bem, eu já disse...
- Eu sei, eu sei. Eu acredito que conheço um ou outro que possa saber a localização deles.
- Muito obrigado, de verdade.
- Primeira vez que vejo alguém agradecer por querer morrer. Nossa! Calista vai me matar.
- Quem é Calista?
- Minha namorada, que espero conseguir te apresentar se você sobreviver. Venha aqui de manhã e eu te apresento a esses contatos.
De manhã, Kyle se encontra com Ben, e como combinado ele o leva até algumas pessoas que possam saber a localização das Foices Vermelhas. Após falarem com os contatos de um contato de outro contato, eles finalmente encontram alguém que lhes dá a localização.
Ao anoitecer, Kyle vai até a localização, um bar velho, levando uma arma junto. Ele não sabe usar arma nem é bom de briga, mas sua raiva torna sua determinação maior. Ele só quer matá-los, puni-los pelo que fizeram.
Ele entra. O lugar tem a aparência de um velho às portas da morte. Todos ali olham para ele. Alguns riem, outros o encaram com raiva. Ele não se importa, pois confirma que encontrou o que procurava ao ver a bandeira do grupo: uma foice com sangue. Ele pergunta qual deles atacou Celiny. Ninguém responde. Ele pergunta novamente. Ninguém responde. Ele prossegue caminhando até começar a atirar em quem está por perto. Alguns ele consegue acertar, porém não demora muito para ele ser subjugado e brutalmente agredido pelos criminosos.
Após vários socos e chutes, eles jogam querosene nele e em seguida um palito de fósforo. O corpo dele queima. Ele grita e eles riem. Os gritos param e eles pensam que ele sucumbiu às chamas, mas outra coisa acontece. Algo emerge das chamas e não tem uma aparência humana. A figura flamejante agarra um dos homens e urra, espalhando o fogo para todo o local, banhando os outros criminosos com fogo, até que o lugar todo explode.

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